segunda-feira, 20 de julho de 2009

Materiais para Consulta: novos links no blog

O Sistema Braille nos traz muitos questionamentos, sobretudo entre os profissionais da educação que "desconhecem" esse tipo de grafia. Quando alguma situação nova nos convida para o "desafio" da educação inclusiva, sentimos uma grande necessidade de ampliar nossas "visões" para enxergar além do que está escrito, desenhado , pintado no papel. é o desafio de transformar o que é visualmente percebido naquilo que possa ser compreendido por um simples toque, por um som, por um cheiro ou sabor diferente.
Entramos no mágico "universo" de quem não vê, mas que aprende a compreender as informações, conhecer os objetos, desenvolver habilidades, executar as tarefas... tudo isso a partir dos sinais e sensações recebidas e interpretadas pelos outros sentidos.
Assim como cada "ser" desenvolve seu próprio mecanismo de adaptação, desde que o meio forneça-lhes condições favoráveis, o professor tem a missão de acompanhar o seu aluno, com ou sem deficiência, oferecendo-lhe suporte adequado. Tratar o aluno com deficiência diferente dos demais ou, apenas sua presença física em sala de aula, não garante a inclusão.
Abaixo, listei alguns links com arquivos para leituras e downloads, além de outros artigos que escrevi e foram publicados em espaço externo a este blog. Também podem ficar por dentro das recentes novidades dos blogs que acompanho. Nestas seções os profissionais da educação poderão conhecer um pouco mais sobre esta realidade, compreender os pontos "Braille", acessar alguma teoria sobre o assunto e, assim tornar-se multiplicadores destas valiosas informações.

Reforma Ortográfica na Ponta dos Dedos

Seis anos separam 2002 de  2008, porém essas datas serão sempre lembradas e estarão vivas em nossa forma de grafar as palavras.Foi em 26 de setembro de 2002 que a portaria ministerial nº 2679 foi aprovada e estabeleceu a Nova Grafia Braille para a Língua Portuguesa, em vigor desde 1 de janeiro de 2003. E, agora, alguns anos depois, uma nova reforma, desta vez muito mais abrangente, a reforma ortográfica da língua portuguesa assinada pelo presidente Lula, em 29 de setembro de 2008, estabeleceu mudanças na forma escrita das palavras e que entraram em vigor a partir de 1 de janeiro de 2009.
Ambas tiveram como objetivo principal unificar o registro escrito nos países de Língua portuguesa, porém, cada uma das duas reformas tem suas particularidades.
Com a reforma na Grafia Braille, pretendeu-se normatizar os códigos e unificá-los segundo as necessidades de ajustar a simbologia Às novas representações gráficas, decorrentes do avanço científico e da informática, bem como garantir a qualidade na transcrição de materiais e facilitar o intercâmbio dos mesmos entre leitores dos países de Língua Portuguesa.
O Sistema Braille é um código universal de leitura tátil e escrita, utilizado por deficientes visuais de todo o mundo. Seus sinais são estruturados a partir de um arranjo combinatório. Cada símbolo é formado por uma combinação específica, entre 6 pontos distribuídos em duas colunas verticais, com 3 pontos cada, de modo que na primeira coluna, a esquerda, encontramos os pontos número 1, número 2 e número 3, de cima para baixo, e na coluna da direita, os pontos número 4, número 5 e número 6, também de cima para baixo. Combinando esses pontos damos origem aos 64 sinais para representar  o alfabeto, numerais, pontuação, simbologia de matemática, química, musicografia, informática, entre outros. O que mudou com essa Nova Grafia de 2003 foram alguns sinais.
O ponto final, por exemplo, continuou sendo ponto final na grafia convencional, mas sua representação em Braille passou a ser feita apenas pelo ponto número 3, último ponto da coluna da esquerda, enquanto que anterior a esse acordo, o ponto final era representado pela combinação entre os pontos número 2, da coluna da esquerda, número 5 e número 6 da coluna da direita.
Algumas alterações facilitaram na hora da escrita porque passamos a perfurar menos pontos para se representar alguns sinais. Porém, outras  dificuldades para a leitura tátil persistem em decorrência da maneira utilizada para estabelecer o conhecimento tátil das letras e da simbologia. Toda configuração tátil trazida pela leitura em Braille faz com que o usuário crie mecanismos de "mentalizar" o desenho que o relevo forma na superfície do papel e como esses signos são "vistos" pelo atrito da ponta dos dedos.
Com essas alterações, não foram modificadas as ortografias, a escrita das palavras em si, mas foram alterados  alguns sinais específicos deste código utilizados para transcrever os sinais da escrita convencional.
Passamos por um período de transição, talvez pouco menos rigoroso tecnicamente, mas totalmente complexo, pois para quem lê com os dedos, não terá  a experiência globalizante proporcionada pela visão e, por isso, compreende as informações de forma fragmentada, letra a letra. Isso significa que, se alterarmos qualquer sinal dentro de uma palavra ou sentença, essa transformação será notada com mais intensidade e, como o arranjo do sinal muda, a configuração da palavra também sofre alteração à percepção tátil.
A Reforma ortográfica da Língua Portuguesa, diferentemente da unificação do Sistema Braille que eliminou e acrescentou novos sinais, traz alterações na Grafia, ou seja, na escrita das palavras, com modificações que vão desde a eliminação do trema, até alterações no uso do hífen e acentuação.
Desta forma, o usuário do Braille está vivendo um segundo momento de adaptação, agora não mais  restrito a uma simbologia específica deste ou daquele alfabeto, mas a uma transformação que atinge as palavras grafadas em língua portuguesa, e que, quando transcritas para o alfabeto em relevo, também precisam obedecer criteriosamente as regras da escrita convencional. Para quem lê nos moldes convencionais, em tinta, o diferencial será notado nos sinais gráficos de acentos, hífens, entre outros, o que não altera o desenho completo das letras, que continuam tendo as mesmas formas. Já para o alfabeto Braille, em que cada letra é representada por um sinal, toda a palavra perde sua configuração, como por exemplo, na ausência do acento agudo da palavra idéia, o "e" sem acento é um sinal diferente do que representa a letra "é". Durante a leitura, a troca de sinais e a ausência de 4 dos 6 pontos originais, inicialmente, faz com que a palavra seja interpretada de maneira diferente pelo tato,causando uma "falsa” sensação de que está grafada incorretamente.Isso acontece porque, ao modificar o símbolo, acrescentamos ou retiramos certa quantidade de "pontos" e isso interfere na "imagem mental" que já foi associada àquela determinada  palavra.
Sendo assim, as Novas Regras trazidas pela Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa  não serão mais ou menos difíceis para quem lê e escreve Braille, mas exigirá um esforço, ainda maior desses usuários, na tentativa de adaptar as formas táteis da leitura a uma nova  "imagem mental" das palavras que sofreram as alterações. As mudanças são as mesmas, tanto para quem enxerga e usa o alfabeto convencional, quanto para quem lê com a ponta dos dedos. E principalmente entre os usuários avançados deste Sistema, somente através de muita leitura essa "estranheza” será minimizada. Que os esforços sejam válidos e que, até 2012 nossos  "dedos" consigam compreender e valorizar esse bem cultural: A Nossa língua Portuguesa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Reglete e Punção: Instrumentos para "Escrita" Braille



Chegou o momento de fazer alguns esclarecimentos... No vídeo abaixo, reportagem veiculada pela TV Vanguarda no dia 02/07, foram mostrados os instrumentos de "escrita" Braille: reglete e Punção; instrumentos estes ainda não apresentados neste blog. Hoje, venho contar e mostrar um pouco sobre como essa escrita acontece e quais são esses instrumentos.
Sabemos que o Sistema Braille é formado por "Pontos" em relevo que, por meio de arranjos combinatórios, dão origem às letras do Alfabeto. Existem alguns instrumentos para produzir essa "escrita pontográfica" e torná-la legível ao tato (para quem não enxerga( e aos olhos (para os videntes). A escrita no reglete pode tornar-se tão automática para o cego quanto a escrita com o lápis para a pessoa de visão normal. Podemos compará-los, reglete e punção, respectivamente, ao caderno e lápis de quem enxerga.

REGLETE: corresponde a uma régua dupla, que abre e fecha com apoio de dobradiças no canto esquerdo, e em cuja abertura é destinada ao papel (com uma gramatura equivalente ou superior a 120, sendo fixado entre a régua superior e a inferior. Na régua superior, encontramos retângulos vazados, cada um compreendendo 6 pontos, na disposição de uma “cela” Braille e na inferior, podemos encontrar várias “celas” Braille todas em baixo relevo. O punção, instrumento furador com uma base de apoio e uma ponteira metálica, será colocado dentro de cada janela, e uma a uma pressiona-se os pontos desejados para cada letra. Por esse motivo, a denominamos "escrita mecânica. A escrita é feita da direita para a esquerda, sendo que o relevo será encontrado ao retirar e virar a folha, já que quando apertamos o punção na folha, o relevo será formado na face contrária e ao retirá-la, a leitura processa normalmente: da esquerda para a direita.
Existem diferentes tipos de regletes e punções,variando desde modelos menores (reglete de bolso) até os maiores, esses últimos geralmente acompanham uma prancheta de madeira para fixar e apoiar melhor o papel. Existem de alumínio e plástico,com diferentes números de linhas e celas.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Reportagem Tv Vanguarda

15h16min - 02/07/2009 Professores são capacitados para educar deficientes visuais nas escolas de Lorena A inclusão de pessoas com necessidades especiais ainda é um desafio, principalmente nas escolas. Em Lorena, profissionais de diversas áreas estão aprendendo a linguagem Braille e se preparando para lidar melhor com os portadores de deficiência visual. Uma iniciativa que vai beneficiar alunos como Alan Gerônimo, de 18 anos, que é o único portador dessa deficiência em sua turma. Ele conta com uma boa audição e ajuda dos colegas. O material utilizado para escrever é bem diferente do convencional, e se a professora conseguisse entender o que ele registra no papel, a comunicação entre eles ficaria mais fácil.”Se os professores aprendessem o método do Braille seria muito mais fácil”, comenta Alan. A inclusão social é um desafio que começa a ser superado. Mas, em Lorena, muitos professores já deixaram a sala de aula para aprender o universo dos deficientes visuais. No Centro Interdisciplinar de Assistência Educacional, os bacharéis são alunos. É como iniciar tudo de novo. Para aprender o Braille, eles precisam se adaptar aos diferentes materiais utilizados pelos deficientes. “Para gente é muito difícil, mas vai ser útil para nós mesmos, para podermos lidar com os alunos que vêm às nossas salas”, fala a professora e aluna do curso Ana Aparecida de Faria. Quarenta e dois profissionais ligados a área da educação estão sendo capacitados. O curso tem duzentas e setenta horas e as aulas são ministradas por quem conhece o assunto. A professora Luciane Barbosa é portadora de deficiência visual. Bem humorada, ela orienta o grupo a como se relacionar com os deficientes. “Além da grafia e da prática, passo algumas noções de relacionamento com um deficiente visual”, conta Luciane. Quem quiser se inscrever para as próximas turmas deve procurar o Centro de Assistência Educacional, que fica na Rua Godoy Neto, 396, no Bairro da Cruz. Fonte: http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=52562 Assista também ao vídeo...
video

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quarta Aula de Braille em Lorena: leitura e Transcrição





Retomamos às atividades após uma pausa para a realização da palestra Escola, Família e Inclusão.
Nesta quarta aula de Braille a proposta foi direcionada às técnicas de leitura e transcrição Braille, a partir da entrega da apostila com atividades práticas e, todas elas impressas no código Braille. Importante salientar que as apostilas e todas as atividades foram elaboradas pela professora Luciane, especialmente para a capacitação de professores e, impressas no Departamento de Imprensa Braille da Sociedade Cultural Amigos do Centro Braille de Blumenau (ACBB). São 28 atividades distribuídas em 40 páginas que seguem as etapas de aprendizagem, equilibrando leitura, escrita e transcrição. Nenhuma atividade possui enunciado, isso porque, para cada uma delas, o comando será diferenciado para que possamos trabalhar noções diversas, ou seja, para cada atividade pretende-se atingir um objetivo específico e o domínio de algumas das habilidades necessárias ao aprendizado do código.
Iniciei a aula apresentando a 1ª série de sinais do código Braille, que contempla as letras "a", "b", "c", "d", "e", "f", "g", "h", "i" e "j". Essas 10 matrizes são as bases para as demais combinações. Solicitei que fizessem alguma comparação com esquemas visuais, já que a memorização das letras depende dessa associação, estabelecendo alguma imagem mental. Fizemos vários comentários pertinentes à simbologia e a escrita das letras no Braillete: observar os pontos superiores, inferiores, semelhanças, diferenças e espelho entre as letras. A partir da escrita no Braillete das dez letras do alfabeto, pedi para que criassem, em duplas, palavras e, também, as representassem utilizando os pinos.
Em seguida, introduzi o sinal de número, para que, quando acrescentados antes de cada letra, esta se transforme em numerais e os cursistas possam identificar o número e localizar as atividades na apostila.
Já com a apostila em mãos, trabalhamos as atividades de 1 a 7, com propostas variadas: observação, reconhecimento de letras isoladamente, identificação das letras no contexto das palavras, leitura individual, transcrição e escrita de palavras na grafia convencional. Socializamos algumas descobertas e, durante a realização das atividades, Apresentei as próximas 5 letras do alfabeto, dando início a 2ª série de sinais: "k", "l", "m", "n" e "o", formadas a partir da matriz "a", "b", "c", "d" e "e", apenas com o acréscimo do ponto 3. Mais algumas transcrições foram realizadas.
As correções foram feitas individualmente e verificou-se um bom domínio do código pelos cursistas, que se divertiram ao tentar "juntar" as letras e identificá-las no contexto das palavras, o que abre espaço para possíveis deduções e, assim, já começaram a memorizar os sinais. Mesmo com uma tabela contendo a simbologia como referencial, muitas vezes as palavras eram identificadas e compartilhadas entre os colegas, sem a necessidade de "olhar" um modelo.
Nas próximas aulas daremos início ao processo de escrita, utilizando os instrumentos reglete e punção. Até lá!!!