segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Reta Final: Aula 12 em Lorena

Mais um encontro, nova etapa! Agora é a vez de trabalharmos em duplas e verificar, dentre os membros de cada uma delas, quem possui maior habilidade para a escrita e quem possui maior habilidade para a leitura. A atividade consiste em ler um texto em Braille, sem prévia transcrição e, organizar as tarefas de modo que um dos membros da dupla fique responsável pelo ditado e, o outro, pela escrita, utilizando reglete e punção. É claro que deve-se observar todos os critérios e normas técnicas para a produção de textos em Braille, respeitando parágrafos, títulos, espaçamentos, pontuação e acentuação.
Já estamos na reta final e, por isso, as atividades tornam-se mais complexas, com um nível mais avançado, já que o profissional do Braille deve perceber todas as peculiaridades deste sistema e adequá-los à realidade de seus novos alunos. Não devemos poupá-los dos esforços que terão de fazer, nem mesmo deixá-los às margens do conhecimento por desconhecer algum aspecto do Sistema. É de extrema importância criar metas e buscar desafios que venham suprir todas as necessidades de uma alfabetização plena e eficaz.
Pensar em uma aula inclusiva, não apenas adaptando um único material para determinado aluno, em exclusividade, não garantirá a qualidade ou a participação de todo o grupo. As aulas precisam ser pensadas para todos e, quem sabe, sendo assim, possa haver uma maior integração e participação dos demais colegas. Cabe lembrar sobre a interação que deve haver entre professor, aquele mediador da aprendizagem, e entre os alunos com ou sem deficiências para que o trabalho seja, realmente, significativo. Todo o grupo deve perceber que estão trabalhando em uma equipe e que, em conjunto, são capazes de construir um aprendizado e atingir as metas.
Sugiro trabalhar com materiais concretos, organizar jogos cooperativos, construir materiais que todos possam utilizar, tais como alfabeto móvel, bingos, caça-palavras, dominós, enigmas, etc. Brincadeiras e dinâmicas que envolvam todo o grupo também ajudam nesses estágios, sempre tendo o Braille como "referência" nessas atividades. Assim, até mesmo quem enxerga pode tomar contato com esse código, sendo um meio de inclusão e do "não" isolamento cultural das pessoas cegas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Décimo Primeiro Encontro: Aula de Braille em Lorena

Como mencionado nas postagens anteriores, as quais tenho divulgado as etapas que compreendem o aprendizado do Braille por videntes, temos a proposta deste encontro baseada na leitura e reprodução de um texto sem que o mesmo seja transcrito. Desta vez o objetivo foi "visualizar" uma produção Braille e conseguir identificar palavras e sentenças apenas pelos símbolos em relevo. Neste momento a transcrição não foi recomendada, pois os profissionais deveriam conseguir compreender, por exemplo, a produção de um aluno que chega para pedir auxílio, evitando, portanto, ter de realizar a transcrição para manifestar-se quanto às possíveis dúvidas desse aluno. É como se comparássemos a situação em que o professor, atuando como mediador da aprendizagem, fizesse intervenções em alguma produção individual escrita em tinta de seu aluno, apontando os acertos ou corrigindo, se necessário. Neste caso, não podemos deixar com que o código Braille, como um método de escrita e de acesso à informação pelo deficiente visual, seja conhecido somente a partir de uma prévia transcrição, trazendo, assim, certa defasagem no acompanhamento global em sala de aula.
Além da abordagem prática leitura X cópia, o texto em questão veio reforçar conceitos sobre letras acentuadas, sinais de pontuação e sua aplicação em um texto, parágrafo e normas técnicas de produção de texto, revisão, escrita de títulos, centralização, entre outros. A atividade trouxe muita motivação, porque nesse momento os cursistas tiveram uma melhor percepção de que já conseguem "ler" e fazer, ao mesmo tempo, o registro, reconhecendo a "reversibilidade" para a escrita. Muitas letras, por já terem sido memorizadas, não foram consultadas no momento da cópia, o que reforça ainda mais a importância de se seguir etapas e critérios para consolidar esse aprendizado, não bastando apenas a decodificação dos sinais.

Até o próximo encontro!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

Nona e Décima aula de Braille em Lorena: Frases, Pontuação e Acentuação

Por aqui voltei para contar sobre as aulas 9 e 10 de Braille. Resolvi descrevê-las em uma única postagem, porque se tratam de conceitos mais avançados. Na nona aula apresentei os sinais de pontuação e suas aplicações em frases, algumas normas técnicas quanto a escrita de pontuações e parágrafos, disposição e distribuição do texto no papel. Fizemos uma leitura compartilhada, em que cada cursista esteve responsável pela leitura de uma frase, sem que esta estivesse transcrita. Na medida em que eram lidas, os sinais de pontuação foram identificados quanto a posição dos pontos correspondentes ao símbolo ali representado. Neste momento aceleramos um pouco para atingir algumas metas previstas. Apresentei o sinal correspondente ao "ç" e a transcrição de Algumas palavras. Para reforçar a escrita e leitura de sinais de pontuação e sua aplicação em frases, pedi a transcrição e a reescrita, em Braille, de "frases" e, desta vez, utilizando palavras com o "ç". Na décima aula chegou a vez de levar ao conhecimento dos cursistas as letras acentuadas. Fizemos algumas transcrições, correções e reescrita, em Braille. Para as acentuações não seguimos a mesma lógica do alfabeto, cujos pontos eram acrescentados ou retirados a partir de uma matriz. Cada acentuação exige uma combinação específica e, muitas vezes, a leitura acontece por "dedução". Neste momento é preciso ter bem estabelecidas as "imagens mentais" de todo o alfabeto, evitando dúvidas e trocas de sinais. A noção de reversibilidade no momento da escrita também é outro fator determinante e que, nesta etapa, é preciso estar bem consolidada.
Até a próxima aula... os textos estão vindo por aí!!!

Clique aqui e obtenha uma tabela com a Simbologia Braille Básica

sábado, 26 de setembro de 2009

Oitava Aula em Lorena: Braille em negro

Nesta semana apresentei o restante do alfabeto, indicando a terceira série de sinais, cujas representações dos símbolos são formadas mediante ao acréscimo do ponto 6 às combinações da segunda série de sinais; tendo como matriz referencial a primeira série de sinais, o acréscimo, então, será dos pontos 3 e 6. Neste momento deixei claro que na seqüência "u, v, x, y, z" não encontramos o "w", porque esta letra foi agregada ao conjunto de pontos 12 anos mais tarde, em 1837, mas apesar disso, ela faz parte do alfabeto. Portanto este sinal passa a pertencer a quarta série de sinais, a qual veremos mais tarde em detalhes, dando continuidade a estrutura lógica da simbolização.
Como a proposta do curso inclui várias estratégias para o domínio da escrita e leitura, desta vez apresentei uma nova forma de um vidente entrar em contato com a "grafia" Braille, através do desenho dos pontos, marcados em negro no papel, por meio de uma fonte específica, utilizada em editores de texto. A definição para esse tipo de registro é:

* Braille em Negro - Representação de símbolos Braille com pontos em tinta. Pode ser produzido à mão ou em computadores, utilizando-se "fontes Braille".

No caso, a proposta de atividade apresentada foram 3 caça-palavras, utilizando-se do Braille a negro, com a fonte BrailleKiama ou Simbraille. Os cursistas deveriam reconhecer o "desenho" das letras e identificar as palavras, em diferentes posições, como em um caça-palavras convencional. Para a outra turma, ofereci 80 palavras para a leitura, com a proposta de estudo das letras, da configuração das palavras e um posterior ditado, utilizando algumas das palavras lidas.
Para quem vê, observa-se uma significativa diferença entre a experiência de ler o Braille em relevo e ler o Braille em negro, mesmo utilizando o sentido da visão em ambos os casos. É bastante complexa a leitura "plana" sem a representação dos pontos salientes. Porém, este exercício é extremamente válido, já que a observação do "desenho" das letras acontece com maior nitidez e detalhes, apesar de parecer que, entre as linhas e entre as letras, há um intervalo menor.

Boa leitura!!!

sábado, 19 de setembro de 2009

Sétima Aula em Lorena: O Ditado

Decodificar pontos em letras: ao contrário do que se pensa, essa experiência não é determinante para se garantir um bom domínio da Grafia Braille, menos ainda, para se colocar em prática as técnicas de leitura e escrita em relevo quando se trabalha visando a inclusão do aluno com deficiência visual no ensino regular. Esses profissionais devem, antes de mais nada, compreender as produções desses alunos, integrando meios, recursos e metodologias para que todos possam participar das aulas. Compreender e acompanhar seu aluno com deficiência visual implica, principalmente, em estabelecer a afetividade, numa relação de confiança; trazer para o espaço escolar a proposta de uma comunicação com qualidade, saber orientá-lo para a realização das atividades e fazer intervenções pertinentes ao uso e aplicação da Simbolização tátil utilizada em seus registros e produções escolares. No entanto, o domínio de todos esses aspectos específicos da Grafia Braille está sendo conseguido, gradativamente, no decorrer das aulas, com atividades programadas para esse fim. Em alguns momentos, priorizamos a leitura e a reescrita. Em outros, a transcrição e a cópia. Para a escrita, ora enfatizamos a visualização das letras individualmente para formar palavras, ora solicitamos a leitura global da palavra, observando sua configuração. O maior desafio desta semana foi um Ditado, em que o cursista poderia consultar quais pontos formam as letras, porém deveriam exercitar a reversibilidade para a escrita, registrando as palavras diretamente em Braille. Assim, evitou-se essa "decodificação", empregando estratégias para elaborar, mentalmente, a configuração tátil/visual das palavras, como um todo.

Aguardem o próximo "desafio"! Até lá...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Comunicado da Organização Nacional de cegos do Brasil (ONCB) - Bicentenário de Louis Braille

A Organização Nacional de Cegos do Brasil, ONCB, fará realizar, nos dias 24 e 25 de setembro, no auditório Nereu Ramos, do Senado Federal em Brasília, o Seminário Brasileiro em Comemoração ao Bicentenário de Nascimento de Louis Braille, inventor do sistema de escrita das pessoas cegas (1809-2009. O evento, que tem como tema central, “O sistema braille, marco inicial da acessibilidade e inclusão”, reunirá, durante os dois dias, mais de trezentos participantes, entre autoridades ligadas ao braille em âmbito internacional e integrantes das diversas entidades nacionais filiadas à ONCB.
“Na ponta dos dedos, a construção de uma história
de independência e cidadania”. Este será o tema da Conferência Magna, que será proferida pelo Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Ministro Paulo Tarso Vannuchi, a partir das 10 hs do dia 24. Ao longo dos dois dias,pesquisadores, educadores, técnicos, estudantes e usuários do sistema braille debaterão sua importância nas diversas áreas da vida das pessoas cegas.O reconhecimento internacional do sistema braille, a formação acadêmica e o mundo do trabalho para o deficiente visual, a sociedade da informação e o fenômeno da desbraillização,recursos tecnológicos e o sistema braille, são alguns dos temas que marcarão a programação, através de mesas redondas, palestras e debates.

HOMENAGENS
O evento também prestará homenagens a personalidades brasileiras que se destacam ou se destacaram na difusão do sistema braille.Dentre os homenageados, destacam-se os nomes da Professora Dorina Gouveia de Nowil, presidente Emérita da Fundação Dorina Nowil para Cegos, e do professor Adilson Ventura, expresidente da União Latinoamericana de Cegos, ex presidente do Conselho Nacional de Defesa da Pessoa com Deficiência, Conade. In Memoriam, também serão homenageados o professor Hamilton Garai da Silva, o professor Edison Ribeiro Lemos e o Doutor Victor Siaulys.
O objetivo maior do evento, segundo seus organizadores, para além da homenagem que o Brasil presta ao genial inventor do sistema braille, centra-se na mobilização das instituições governamentais, das escolas, dos educadores e dos órgãos de fomento, por uma política de valorização e reconhecimento desse sistema em relevo, como meio natural e direto de leitura e escrita das pessoas cegas, conforme preconizam a Convenção da Onu, a União Mundial de Cegos e todos aqueles que lutaram e lutam pela ampla cidadania desses indivíduos em todo o mundo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Apresentação de aulas "inclusivas": curso da UNESP/FEG

O Primeiro Módulo para capacitar professores em Grafia Braille, Semeando Leitores e Escritores Competentes, desenvolvido nas dependências da UNESP/FEG - Guaratinguetá, em 2009, está chegando ao fim. Desde os embasamentos teóricos, envolvendo aspectos centrais e específicos da Leitura, Escrita e Transcrição Braille, passamos pela exposição de materiais, por aulas práticas, vivências, e uma das últimas propostas teve como objetivo "desafiar" os profissionais, ali presentes, a desenvolverem uma aula "inclusiva" e acessível, não só ao Cego, mas a todas as crianças. É muito importante perceber que, durante este momento de pesquisa e elaboração, esses professores conseguem fazer uma auto-avaliação: nas primeiras aulas, quase sempre marcadas pela ansiedade e insegurança, pelo desconhecimento ou inquietação diante do novo que se apresentara a partir dali. A dúvida, se seriam capazes de "compreender" aquele emaranhado de pontos", se saberiam identificar quais as melhores estratégias a desenvolver com esse aluno e, até mesmo, o "encantamento" ao descobrir as primeiras letras, ao formar as primeiras sílabas, palavras, sentenças... e às descobertas sucessivas de que ler utilizando um código tátil também é possível e divertido.
Em cada aula as propostas se diversificavam e, nem mesmo a complexidade do código trouxe grandes dificuldades. Os desafios eram superados e, cada etapa, compreendida dentro daquele contexto. Talvez, o grande segredo deste curso nem seja o relevo percebido visualmente por cada professor, compreendido como um símbolo do alfabeto, mas sim a mudança de "olhares" com relação ao aluno deficiente visual, um "olhar" sem rótulos, cujo foco esteja em suas habilidades e no que será capaz de produzir se incentivado a crescer e a participar das aulas com seus amigos de classe. O que valorizamos, a todo momento, é essa interação professor aluno, em que ambos serão responsáveis pela multiplicação do saber, desses conhecimentos relacionados ao "novo" que irá surgir e, no desejo de construir uma relação entre as "diferenças".
Para colocar em prática tudo o que foi possível experimentar durante esse curso, a proposta foi desenvolver, em grupo, uma aula "inclusiva", envolvendo a construção e adaptação de materiais, elaboração de um plano de aula e apresentação, simulando uma aula de verdade. Os temas foram escolhidos pelos grupos e a ordem de apresentação, definida por sorteio. Durante as apresentações, utilizamos vendas e os trabalhos foram distribuídos entre os demais cursistas que, no caso, seriam os alunos desta Classe inclusiva e realizariam as tarefas conforme orientações dos professores que comandavam a aula.
Tenho a acrescentar que foram momentos ricos de descobertas, em que os cursistas exploraram a criatividade e fizeram várias adaptações, todas envolvendo alunos com e sem deficiências. Essa preocupação esteve presente em todas as apresentações e as estratégias, mesmo variadas, contemplaram todos os envolvidos. Assim, Quero compartilhar com todos os leitores deste blog, alguns dos momentos destas apresentações, parabenizando todos os grupos pelo empenho, pela dedicação e, principalmente, por acreditarem que fazer a diferença é possível!

Temas:
Grupo 1: Textura na Arte.

Grupo 2: Lateralidade - uma aula de Espanhol.

Grupo 3: Alfabetização - Bingo de letras e formação de palavras.

Grupo 4: Formas Geométricas - relação com figuras em relevo; texturas; ficha de palavras.

Grupo 5: Sensibilização - Formas Geométricas e noção de medidas; órgãos dos sentidos (temperatura, textura, aroma e paladar); fichas de palavras em Braille.

Grupo 1: Textura na Arte








Objetivo:
Desenvolver e estimular a percepção tátil, antecipando a leitura Braille.

Atividades:
* Curiosidade: leitura do texto a Origem do Braille;
* Apresentação do texto Definição de Textura;
* Manuseio do tapete de texturas (alunos vendados observaram diferentes seqüências de texturas);
* Pontilhismo: manuseio em diferentes contornos em relevos de desenhos (contornados com bolinhas);
Jogo: Qual é o som? (com fichas de palavras);
* Jogo: memória.

Grupo 2: Lateralidade - uma Aula de Espanhol


Objetivo:
Desenvolver a lateralidade de crianças com deficiência visual, ensinando o espanhol, através de perguntas, o uso do tato e a escrita Braille.

Atividades:
* Ficha em Braille com desenhos de posições e escrita de perguntas e respostas em Espanhol;
* Identificação de posições (alunos vendados);
* Conversação: perguntas e respostas em Espanhol de acordo com a posição observada na ficha.

Grupo 3: Alfabetização - Bingo de letras e Formação de Palavras





Objetivo:
Identificar letras e formar palavras através de uma alfabetização lúdica e cooperativa.

Atividades:
* A importância do lúdico;
* Jogo: Bingo de letras (Alunos vendados);
* Jogo: montar palavras com alfabeto móvel em um tabuleiro, encaixando letras de acordo com o desenho (duplas: um colega vendado outro não).

Grupo 4: Formas Geométricas e Relações com Figuras








Objetivo:
Perceber semelhanças e diferenças entre objetos no espaço, identificando as formas geométricas em situações que envolvem descrições orais, construções e representações.

Atividades:
* Leitura oral de um texto: As Figuras Geométricas;
* Conversa sobre figuras geométricas e relação com as "coisas" e que podemos criar outras Formas geométricas utilizando apenas Triângulos, quadrados e círculos;
* Distribuição de Figuras geométricas de diferentes tamanhos e com texturas variadas para grupos (alunos vendados), pedindo para que separem de acordo com a forma e tamanho - círculo, quadrado e triângulo, pequeno, médio e grande;
* Distribuição de desenhos utilizando as Formas geométricas, construídos com diversas texturas e materiais variados: trem, foguete, navio, paisagem e palhaço;
* Distribuição de fichas de leitura contendo as palavras: foguete, trem, paisagem, navio e palhaço. As palavras estavam escritas com letras do alfabeto convencional, em relevo, e em Braille.
* Relacionar o desenho ao seu nome, fazendo a leitura da ficha apresentada.

Grupo 5: Sensibilização




Objetivo:
Explorar e identificar, através dos órgãos dos sentidos (tato, olfato, audição e paladar), características relacionadas a determinados objetos apresentados pelo professor e descrevê-los.

Atividades:
* Noções de medida (tamanho, peso, espessura e comprimento) através da análise de figuras geométricas apresentadas aos alunos (crianças vendadas);
* Vários elementos apresentados para serem analisados pelos órgãos dos sentidos (temperatura, textura, aroma e sabor);
* Distribuição de fichas de leitura em Braille para relacioná-las ao material apresentado e a sensação descrita pelos alunos ao entrarem em contato com esses materiais e sensações, por exemple: pequeno, grosso, café, frio, açúcar, limão, quadrado, azedo, liso, etc.
* Comparar os materiais apresentados, explorando os termos mais adequados para descrevê-los.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sexta Aula de Braille... Novos Desafios!

Nessa sexta aula de Braille o objetivo foi reforçar algumas técnicas de escrita, incluindo os elementos de reversibilidade; identificar se confunde letras opostas; se já consegue identificar novas letras, sinais e erros, e dar continuidade às técnicas de transcrição. Já no momento do registro , a utilização do reglete ocorreu de forma mais autônoma, em que cada aluna se mostrou a vontade ao manusear os instrumentos de escrita em relevo. Num primeiro momento, esclareci sobre quais seriam os "erros" mais comuns próprios da Escrita pontográfica (Ver Quinta Aula de Braille). Em seguida, apresentei os critérios que utilizo para a correção das atividades escritas. Nesta correção, os "erros" são sinalizados com marcações, sem especificá-lo. Caberá ao aluno identificar qual foi o "erro" cometido dentro do critério e do que foi sinalizado com cada marca.

CRITÉRIOS DE CORREÇÃO:
* um sinal de ? no início de uma linha ou palavra indica que a escrita está confusa e ilegível; dificuldade para interpretar aquele trecho; fora do contexto.
* Uma | indica ausência de alguma letra na palavra ou ausência de espaço entre palavras; falta algo.
* um X indica letras a mais na palavra ou espaços a mais, geralmente espaços no meio da palavra; sobra algo.
* Circular uma letra indica que existe algum erro, geralmente letras em espelho, com pontos a mais ou a menos.

Após estabelecidos os critérios de correção, as atividades, já corrigidas, foram distribuídas e cada "marcação" foi identificada pelas alunas que, conseguiram "visualizar" os "erros mais comuns". Posteriormente, fiz a leitura das palavras da atividade 8, mostrando que, a partir de agora, as linhas ficariam mais próximas, pois esta será a "configuração" real da escrita Braille, diferentemente das atividades anteriores que possuíam um espaçamento maior, a fim de promover uma maior familiaridade com o "visual" das letras. Nesta, e nas atividades seguintes, alguns "desafios" foram propostos, inclusive o aparecimento de uma letra nova, sinal de maiúsculo e palavras grafadas com erro ortográfico. Neste último, o "erro" intencional que apareceu na apostila serviu para avaliar o papel do "transcritor", como o profissional responsável pela transcrição das produções de "outros" e, portanto, tem a função de reproduzir fielmente essa escrita, sem corrigí-la. A correção foi solicitada apenas na hora da Escrita/cópia no reglete. Com uma atividade para reforçar o sinal indicativo de letra maiúscula, finalizamos a aula, ansiosos pelo próximo encontro.

Até lá!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Inclusão de Pessoas Cegas na Escola e no Mundo Digital: Projeto UNESP Guaratinguetá

O valor da educação é medido pela consciência e preparo do professor que tem, em suas mãos, o sábio dom de tecer vidas e a importância dessas ações e de cada ser na construção do mundo. Esse compartilhar de conhecimentos e de idéias, de aprender, de ensinar e de conviver em grupo está presente em um conceito bastante atual e desejado por milhares de pessoas: a inclusão escolar do deficiente visual. E, se ela é tão desejada assim, porque não podemos torná-la concreta e real?
Foi pensando na qualidade do ensino para pessoas cegas ou com baixa visão que o Projeto aprovado pela Prograd/Núcleo de Ensino, FEG/UNESP em Guaratinguetá passou a oferecer aos professores videntes, das redes municipal, estadual e particular, cursos referentes ao tema da deficiência visual, para que essa "inclusão" seja muito mais do que o acesso físico aos espaços escolares, mas, acima de tudo, uma oportunidade de crescimento a todos os envolvidos nesse processo.
O projeto "A Inclusão de Pessoas Cegas na Escola e no Mundo Digital" desenvolvido em 2008, contou com 2 módulos: grafia Braille (60 horas) e informática/Dosvox(60 horas. Cerca de 20 profissionais da rede regular tiveram a oportunidade de conhecer materiais adaptados para deficientes visuais, participar de dinâmica sobre como relacionar-se com deficientes visuais, orientação e mobilidade, escrita em Braille com equipamentos específicos, leitura e transcrição Braille, informações teóricas e apresentação de trabalho, cujo objetivo foi criar uma aula inclusiva. Já para as aulas de informática, realizadas em um laboratório, o objetivo foi colocar o professor em contato com o Sistema Dosvox, cujas informações gráficas são todas convertidas para o áudio. Com técnicas específicas, os professores puderam experimentar a sensação de utilizar um microcomputador apenas pelo som.
Este projeto teve continuidade e, atualmente em 2009 estamos capacitando mais profissionais que, através desta formação serão os multiplicadores dessas informações sobre deficiência visual, tendo a oportunidade de utilizar as técnicas, recursos e ferramentas para uma mobilização pela Inclusão do aluno com alguma dificuldade visual em classe regular.
Com o objetivo de divulgar este projeto, trago para conhecimento uma apresentação (Slide), mostrando os detalhes do que acontece nos cursos de capacitação. Este Slide foi apresentado pelos Bolsistas Fagner Bueno e Priscila Pereira na Semana de Ciência e Tecnologia da FEG/Guaratinguetá. Acessem e confiram:

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A APRESENTAÇÃO: Inclusão de Pessoas Cegas na Escola e no Mundo Digital
Núcleo de Ensino de Guaratinguetá
Coordenadora
Profª Drª Vera Lia Marcondes C. de Almeida
Bolsistas
Fagner Leandro Bueno
Priscila Pereira
Ministrante
Profª Luciane Maria Molina Barbosa

OBS: O Slide também está disponível na área de arquivos deste blog.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Estamos de Volta!!! Quinta aula em Lorena

Após o recesso e, em seguida com a paralisação resultante da gripe A (H1N1), que nos deixou quase dois meses ausentes do curso, estamos de Volta. É certo que essa ausência inesperada nos traz alguns prejuízos e atrasos, sobretudo em processos iniciais de aprendizado do Braille. Sabemos que nesta etapa faz-se necessário um contato mais freqüente com a escrita pontográfica, um treino mais preciso e intervalos menores entre as aulas. Essas lacunas serão preenchidas a partir de agora, momento em que o curso entra em sua fase mais dinâmica e totalmente prática.
Iniciei a aula fazendo uma breve revisão do que foi trabalhado até então (ver Quarta Aula de Braille), cujos conceitos de "cela" Braille, posição dos pontos, Primeira série de sinais, Segunda série de sinais e interpretação dos numerais foram relembrados. Como o foco da aula anterior estava direcionado a leitura/transcrição, agora saber manusear os instrumentos de escrita (reglete e punção) foi nossa prioridade. É importante salientar que, algumas técnicas são indispensáveis para o uso e aplicação corretos do código Braille em suas diversas modalidades, tais como criar uma imagem mental para cada letra, associando-as a algum signo relevante e ter como base as matrizes. Outra grande dica está na hora da inversão dos pontos para a escrita, que acontece da direita para a esquerda. Esse fato faz com que a configuração dos pontos mude de direção e não que as letras ganhem novas combinações. Por exemplo a letra "e” formada pelos pontos 1 (à esquerda) e 5 (à direita). Para a escrita ele continua tendo a mesma combinação de pontos 1 e 5, porém, o ponto 1 passa a se localizar no lado direito da "cela" e o ponto 5, à esquerda. Isso porque quando se escreve, iniciamos da direita para a esquerda e o relevo será formado na face oposta do papel e, somente ao retirarmos da prancheta que o prende e virarmos com a face para cima, a leitura será possível (Ver matéria sobre reglete e punção deste blog).
Na seqüência, após todos terem explorado os materiais, orientei sobre como colocar a folha no reglete, utilizar punção, apagar pontos a mais e utilizar as marcações na folha para retornar e avançar linhas. Pedi para que escrevessem as letras do alfabeto, em cada linha, pulando "celas". Esse exercício teve como objetivo verificar o grau de atenção e de como estão explorando o "restrito" espaço entre "celas" e linhas. Mostrei algumas dicas para evitar o cansaço dos punhos e das mãos, escrevendo, posteriormente, palavras. Fizemos algumas correções individuais. Recolhi o que produziram e deixei a proposta de uma atividade como tarefa para a próxima aula, observando como será o desempenho para a transcrição/leitura autônoma e individual.Abaixo algumas informações a respeito da "escrita Braille":

Como Facilitar a Escrita em Braille?
* Para os processos iniciais de alfabetização, recomenda-se "cobrir" algumas linhas da régua metálica do reglete, evitando confusões na troca de linhas e escrita seqüencial, já que o espaço é muito limitado e demora a ser percebido pelo tato e assimilado.
* Não é necessário empregar grande força para se obter o relevo. O que garante a qualidade na impressão das letras é o posicionamento correto do punção, de modo que esteja perpendicular ao papel.
* O punção não deve ser levantado, nem para a troca de janelas, nem para movimentos dentro de uma mesma "cela" Braille. O constante contato com o papel facilita a identificação de onde se encontra.
* Manter sempre a prancheta do reglete alinhada a carteira, pois sua inclinação pode resultar em dificuldades na localização das "celas" Braille.
* Não ter o hábito de executar ações repetitivas, como perfurar as mesmas letras ou seqüências continuamente. Recomenda-se, no máximo, uma linha de repetições, com intervalos.


Erros Mais Comuns em Textos Braille:
* Pontos a mais ou a menos em letras, o que não caracteriza erros ortográficos;
* Palavras juntas, sem intervalo de "celas" vazias;
* Palavras separadas por dois ou mais espaços;
* Espaços no meio de palavras, que ficam interrompidas;
* Troca de posição de letras na mesma palavra;
* Letras em espelho, ou seja, inversão dos pontos que compõe o símbolo;
* Repetição ou letras a mais em uma mesma palavra;
* Falta de letras em uma palavra;
* Existência de letras ou sinais estranhos em uma palavra;
* Empastelamento de linhas (quando se escreve uma linha por cima da outra);
* Pontos danificados ou rasgados devido a força empregada para marcá-los;
* Pontos mal apagados.

Parabéns às alunas que se empenharam e produziram uma escrita de qualidade. Muitos desses "erros comuns" foram superados logo no início e, daqui pra frente, o Braille surgirá como "Pontos" de conhecimento que, pelas mãos de cada uma de vocês, construirão uma nova história... o Braille é de todos nós!!

domingo, 9 de agosto de 2009

Braille X PC: Um casamento feliz ou uma relação atrapalhada?

Trago a vocês a Primeira parte de uma "conversa" sobre Braille e tecnologia, mediada por Miguel Fernandes e publicada em seu BLOG: Blog DV-Tec Brasil

(...) "Concebido ainda no século XIX por Louis Braille, o Alfabeto originou-se de uma escrita tátil desenvolvida pelo Capitão Charles Barbier de La Serre, com
o intuito de trabalhar suas instruções militares no fronte de guerra, onde, é claro, uma outra forma de comunicação poderia chamar a atenção do exército
inimigo.
Braille conseguiu desenvolver o método utilizado por La Serre ao ponto de eternizá-lo como o código que apresentou a cultura escrita àqueles que,literalmente,
até então não podiam tocá-la.
O tempo passou,outras alternativas surgiram e idéias como a que estigmatizavam o Braille como uma linguagem de cegos para cegos começava a tomar corpo
e se contrapor a contextos que colocavam instrumentos como a informática e a internet como promotores da tão sonhada acessibilidade universal, já que de
fato mecanismos como o computador poderia abranger áreas e pessoas que por vários motivos o Braille correria o risco de não alcançar." (...)

Clique Aqui para Acessar a Matéria Completa

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Transcrição


Como o Braille não se caracteriza como uma "linguagem" específica para deficientes visuais, o ato de interpretar este código pela escrita convencional, denomina-se transcrição e não tradução. Assim, o Braille pode ser acessível a todas as pessoas, seja através da "transcrição" seja a partir do domínio visual dos seus caracteres. Durante a alfabetização, entre os deficientes visuais, recomenda-se associar a "grafia" das letras a algum objeto, forma ou figura relevante, construindo a "imagem" mental de cada letra. Para quem enxerga a dica acima torna-se muito mais valiosa, já que as tentativas de comparar o código em relevo com o alfabeto convencional não apresenta nenhum resultado.É bastante comum observarmos as pessoas que enxergam fecharem os olhos para tatear o Braille, causando um total espanto pela complexidade tátil do sistema. Porém, Apenas com um pouco de treino "visual" o vidente pode atingir resultados satisfatórios de leitura. Seu papel torna-se indispensável para a "transcrição" de materiais que, a partir daí, são "legíveis" aos demais. Mas não são apenas os videntes que "transcrevem" o Braille com qualidade, Quem não enxerga, porém que já foi alfabetizado anteriormente a perda da visão, conseguem realizar esta tarefa, sem muitas dificuldades.
A "transcrição" deve ser feita na parte superior da palavra, não ocorrendo cortes. A escrita deve ser contínua, obedecendo os padrões gramaticais que forem apresentados na escrita Braille. Recomenda-se a utilização de letras cursiva, já que o Braille representa a escrita do deficiente visual. Deve-se respeitar a escrita, tal e qual foi concebida, seja com erros ou acertos, pois o papel do "transcritor" é interpretar o relevo para tinta, de forma que se torne legível. Este fato gera reações adversas com relação ao "conhecimento" gramatical e ortográfico dos "transcritores". Divulgar seu papel é a melhor maneira de quebrar o preconceito.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Braille: Você sabe Interpretar esses Pontos?



Para ilustrar nossos comentários a respeito da importância de se conseguir interpretar as informações, trago-lhes as imagens acima:

Tela 1: algumas palavras escritas em Braille, sem correspondência em alfabeto convencional; amor, vida, paz, escola, futuro, festa, dança, maravilhoso.

Tela 2: Mesmas palavras da tela anterior, escritas em Braille, porém, com transcrição para o alfabeto convencional.

Essas duas telas que, ilustram minhas palestras, também, me acompanham nas primeiras aulas sobre Grafia Braille. Senti a necessidade de compartilhar com vocês o "valor" das informações e como o ato de interpretá-las pode mudar nossos "olhares" com relação a um acontecimento, a um fato, uma situação.
De forma clara e objetiva, inicio dizendo que não basta estar diante de uma informação; por mais valiosa e necessária que ela seja em determinado momento, o importante é saber interpretá-la. É como em uma Crônica que li há uns 6 anos (não me recordo autor e fonte) e que transcrevo abaixo de forma resumida.

"Ao saber sobre um grave acidente ocorrido no local onde sua filha trabalhava, uma mãe segue, desesperada, em busca de informações. Chegando ao local do acidente, em meio ao corre- corre, não conseguia nenhuma pista sobre o paradeiro da filha. Até que descobre que as vítimas estavam sendo encaminhadas para um hospital e, que lá, haviam as listas com os nomes dessas pessoas. A mãe segue imediatamente para lá e se vê diante das duas listas, em uma parede no corredor deste hospital. Sem saber ler nem escrever, essa senhora apenas conseguia "decodificar" em imagens os nomes de suas filhas, de seu esposo e, o dela própria. Então, frente àquele emaranhado de linhas que, se entrelaçavam, conseguiu ver o nome da filha, escrito em uma das listas. Acontece que as listas estavam identificadas: Listas dos Vivos e Lista dos Mortos. E agora, como essa mãe poderia saber em que lista o nome da filha se encontrava?"

Essa história nos mostra bem a importância de se conseguir interpretar as informações, caso contrário nos tornamos "vítimas" dessa falta de acessibilidade. Felizmente a moça se encontrava entre os vivos e o desfecho dessa história real terminou bem. Porém, o fato vem se repetindo diariamente entre aqueles que, considerados "analfabetos", não conseguem estabelecer essa comunicação leitura X escrita.
Mas não são somente os "analfabetos" quem não conseguem "decodificar" os signos em letras. Diante da primeira tela, a pessoa que desconhece o código Braille também se encaixa nesse mesmo grupo; apesar de estar diante da informação, ela não consegue interpretá-la. No caso da segunda tela, essa leitura se dá, porque existe a "transcrição" das palavras, ou seja, o Braille foi "interpretado" pela grafia convencional. Quais as sensações experimentadas por você, quando se depara com a tela 1 sem o conhecimento prático destes signos?
Como vimos em outros textos já postados aqui neste blog, somente através do domínio tátil da linguagem escrita e lida, ou seja, somente por meio do código Braille, o deficiente visual entra em contato direto com as letras, palavras e sentenças. É o Braille que fornece informações sobre ortografia, disposição do texto no papel, enfim, aquilo que o áudio não consegue substituir. Neste caso, o "cego”, leitor de Braille, se vê também diante de tantas informações inacessíveis e, assim como a "mãe" da história acima, se sente "analfabeto" diante dessa inacessibilidade.
Posso citar vários exemplos que, se não tiverem disponíveis em alfabeto tátil, colocam o deficiente visual em desvantagem no acesso a informação: cardápios, livros para estudos, panfletos de propaganda, placas de sinalização, jornais, revistas, cédulas e moedas, placas de preço em supermercados, e tantos outros exemplos que eu poderia ficar horas enumerando.
Assim, o Sistema Braille, antes considerado um meio de comunicação (escrita e leitura) típico de um grupo de pessoas com deficiências, desconhecido da maioria da população, agora torna-se um instrumento social a ser conhecido e aprendido por todos, rompendo a barreira entre a informação e o seu receptor. É de extrema importância divulgar ações para ampliar o conhecimento do código Braille entre as pessoas, principalmente entre os profissionais da educação, garantindo assim, uma maior acessibilidade entre a comunicação escrita e lida entre os deficientes visuais.
Fica aqui uma reflexão: seria considerado "analfabeto" o deficiente visual que desconhece o código Braille? E no caso das pessoas que "enxergam", que posição ocupam nessa busca pela informação,já que o Braille passa a ser considerado um instrumento social de comunicação?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Materiais para Consulta: novos links no blog

O Sistema Braille nos traz muitos questionamentos, sobretudo entre os profissionais da educação que "desconhecem" esse tipo de grafia. Quando alguma situação nova nos convida para o "desafio" da educação inclusiva, sentimos uma grande necessidade de ampliar nossas "visões" para enxergar além do que está escrito, desenhado , pintado no papel. é o desafio de transformar o que é visualmente percebido naquilo que possa ser compreendido por um simples toque, por um som, por um cheiro ou sabor diferente.
Entramos no mágico "universo" de quem não vê, mas que aprende a compreender as informações, conhecer os objetos, desenvolver habilidades, executar as tarefas... tudo isso a partir dos sinais e sensações recebidas e interpretadas pelos outros sentidos.
Assim como cada "ser" desenvolve seu próprio mecanismo de adaptação, desde que o meio forneça-lhes condições favoráveis, o professor tem a missão de acompanhar o seu aluno, com ou sem deficiência, oferecendo-lhe suporte adequado. Tratar o aluno com deficiência diferente dos demais ou, apenas sua presença física em sala de aula, não garante a inclusão.
Abaixo, listei alguns links com arquivos para leituras e downloads, além de outros artigos que escrevi e foram publicados em espaço externo a este blog. Também podem ficar por dentro das recentes novidades dos blogs que acompanho. Nestas seções os profissionais da educação poderão conhecer um pouco mais sobre esta realidade, compreender os pontos "Braille", acessar alguma teoria sobre o assunto e, assim tornar-se multiplicadores destas valiosas informações.

Reforma Ortográfica na Ponta dos Dedos

Seis anos separam 2002 de  2008, porém essas datas serão sempre lembradas e estarão vivas em nossa forma de grafar as palavras.Foi em 26 de setembro de 2002 que a portaria ministerial nº 2679 foi aprovada e estabeleceu a Nova Grafia Braille para a Língua Portuguesa, em vigor desde 1 de janeiro de 2003. E, agora, alguns anos depois, uma nova reforma, desta vez muito mais abrangente, a reforma ortográfica da língua portuguesa assinada pelo presidente Lula, em 29 de setembro de 2008, estabeleceu mudanças na forma escrita das palavras e que entraram em vigor a partir de 1 de janeiro de 2009.
Ambas tiveram como objetivo principal unificar o registro escrito nos países de Língua portuguesa, porém, cada uma das duas reformas tem suas particularidades.
Com a reforma na Grafia Braille, pretendeu-se normatizar os códigos e unificá-los segundo as necessidades de ajustar a simbologia Às novas representações gráficas, decorrentes do avanço científico e da informática, bem como garantir a qualidade na transcrição de materiais e facilitar o intercâmbio dos mesmos entre leitores dos países de Língua Portuguesa.
O Sistema Braille é um código universal de leitura tátil e escrita, utilizado por deficientes visuais de todo o mundo. Seus sinais são estruturados a partir de um arranjo combinatório. Cada símbolo é formado por uma combinação específica, entre 6 pontos distribuídos em duas colunas verticais, com 3 pontos cada, de modo que na primeira coluna, a esquerda, encontramos os pontos número 1, número 2 e número 3, de cima para baixo, e na coluna da direita, os pontos número 4, número 5 e número 6, também de cima para baixo. Combinando esses pontos damos origem aos 64 sinais para representar  o alfabeto, numerais, pontuação, simbologia de matemática, química, musicografia, informática, entre outros. O que mudou com essa Nova Grafia de 2003 foram alguns sinais.
O ponto final, por exemplo, continuou sendo ponto final na grafia convencional, mas sua representação em Braille passou a ser feita apenas pelo ponto número 3, último ponto da coluna da esquerda, enquanto que anterior a esse acordo, o ponto final era representado pela combinação entre os pontos número 2, da coluna da esquerda, número 5 e número 6 da coluna da direita.
Algumas alterações facilitaram na hora da escrita porque passamos a perfurar menos pontos para se representar alguns sinais. Porém, outras  dificuldades para a leitura tátil persistem em decorrência da maneira utilizada para estabelecer o conhecimento tátil das letras e da simbologia. Toda configuração tátil trazida pela leitura em Braille faz com que o usuário crie mecanismos de "mentalizar" o desenho que o relevo forma na superfície do papel e como esses signos são "vistos" pelo atrito da ponta dos dedos.
Com essas alterações, não foram modificadas as ortografias, a escrita das palavras em si, mas foram alterados  alguns sinais específicos deste código utilizados para transcrever os sinais da escrita convencional.
Passamos por um período de transição, talvez pouco menos rigoroso tecnicamente, mas totalmente complexo, pois para quem lê com os dedos, não terá  a experiência globalizante proporcionada pela visão e, por isso, compreende as informações de forma fragmentada, letra a letra. Isso significa que, se alterarmos qualquer sinal dentro de uma palavra ou sentença, essa transformação será notada com mais intensidade e, como o arranjo do sinal muda, a configuração da palavra também sofre alteração à percepção tátil.
A Reforma ortográfica da Língua Portuguesa, diferentemente da unificação do Sistema Braille que eliminou e acrescentou novos sinais, traz alterações na Grafia, ou seja, na escrita das palavras, com modificações que vão desde a eliminação do trema, até alterações no uso do hífen e acentuação.
Desta forma, o usuário do Braille está vivendo um segundo momento de adaptação, agora não mais  restrito a uma simbologia específica deste ou daquele alfabeto, mas a uma transformação que atinge as palavras grafadas em língua portuguesa, e que, quando transcritas para o alfabeto em relevo, também precisam obedecer criteriosamente as regras da escrita convencional. Para quem lê nos moldes convencionais, em tinta, o diferencial será notado nos sinais gráficos de acentos, hífens, entre outros, o que não altera o desenho completo das letras, que continuam tendo as mesmas formas. Já para o alfabeto Braille, em que cada letra é representada por um sinal, toda a palavra perde sua configuração, como por exemplo, na ausência do acento agudo da palavra idéia, o "e" sem acento é um sinal diferente do que representa a letra "é". Durante a leitura, a troca de sinais e a ausência de 4 dos 6 pontos originais, inicialmente, faz com que a palavra seja interpretada de maneira diferente pelo tato,causando uma "falsa” sensação de que está grafada incorretamente.Isso acontece porque, ao modificar o símbolo, acrescentamos ou retiramos certa quantidade de "pontos" e isso interfere na "imagem mental" que já foi associada àquela determinada  palavra.
Sendo assim, as Novas Regras trazidas pela Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa  não serão mais ou menos difíceis para quem lê e escreve Braille, mas exigirá um esforço, ainda maior desses usuários, na tentativa de adaptar as formas táteis da leitura a uma nova  "imagem mental" das palavras que sofreram as alterações. As mudanças são as mesmas, tanto para quem enxerga e usa o alfabeto convencional, quanto para quem lê com a ponta dos dedos. E principalmente entre os usuários avançados deste Sistema, somente através de muita leitura essa "estranheza” será minimizada. Que os esforços sejam válidos e que, até 2012 nossos  "dedos" consigam compreender e valorizar esse bem cultural: A Nossa língua Portuguesa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Reglete e Punção: Instrumentos para "Escrita" Braille



Chegou o momento de fazer alguns esclarecimentos... No vídeo abaixo, reportagem veiculada pela TV Vanguarda no dia 02/07, foram mostrados os instrumentos de "escrita" Braille: reglete e Punção; instrumentos estes ainda não apresentados neste blog. Hoje, venho contar e mostrar um pouco sobre como essa escrita acontece e quais são esses instrumentos.
Sabemos que o Sistema Braille é formado por "Pontos" em relevo que, por meio de arranjos combinatórios, dão origem às letras do Alfabeto. Existem alguns instrumentos para produzir essa "escrita pontográfica" e torná-la legível ao tato (para quem não enxerga( e aos olhos (para os videntes). A escrita no reglete pode tornar-se tão automática para o cego quanto a escrita com o lápis para a pessoa de visão normal. Podemos compará-los, reglete e punção, respectivamente, ao caderno e lápis de quem enxerga.

REGLETE: corresponde a uma régua dupla, que abre e fecha com apoio de dobradiças no canto esquerdo, e em cuja abertura é destinada ao papel (com uma gramatura equivalente ou superior a 120, sendo fixado entre a régua superior e a inferior. Na régua superior, encontramos retângulos vazados, cada um compreendendo 6 pontos, na disposição de uma “cela” Braille e na inferior, podemos encontrar várias “celas” Braille todas em baixo relevo. O punção, instrumento furador com uma base de apoio e uma ponteira metálica, será colocado dentro de cada janela, e uma a uma pressiona-se os pontos desejados para cada letra. Por esse motivo, a denominamos "escrita mecânica. A escrita é feita da direita para a esquerda, sendo que o relevo será encontrado ao retirar e virar a folha, já que quando apertamos o punção na folha, o relevo será formado na face contrária e ao retirá-la, a leitura processa normalmente: da esquerda para a direita.
Existem diferentes tipos de regletes e punções,variando desde modelos menores (reglete de bolso) até os maiores, esses últimos geralmente acompanham uma prancheta de madeira para fixar e apoiar melhor o papel. Existem de alumínio e plástico,com diferentes números de linhas e celas.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Reportagem Tv Vanguarda

15h16min - 02/07/2009 Professores são capacitados para educar deficientes visuais nas escolas de Lorena A inclusão de pessoas com necessidades especiais ainda é um desafio, principalmente nas escolas. Em Lorena, profissionais de diversas áreas estão aprendendo a linguagem Braille e se preparando para lidar melhor com os portadores de deficiência visual. Uma iniciativa que vai beneficiar alunos como Alan Gerônimo, de 18 anos, que é o único portador dessa deficiência em sua turma. Ele conta com uma boa audição e ajuda dos colegas. O material utilizado para escrever é bem diferente do convencional, e se a professora conseguisse entender o que ele registra no papel, a comunicação entre eles ficaria mais fácil.”Se os professores aprendessem o método do Braille seria muito mais fácil”, comenta Alan. A inclusão social é um desafio que começa a ser superado. Mas, em Lorena, muitos professores já deixaram a sala de aula para aprender o universo dos deficientes visuais. No Centro Interdisciplinar de Assistência Educacional, os bacharéis são alunos. É como iniciar tudo de novo. Para aprender o Braille, eles precisam se adaptar aos diferentes materiais utilizados pelos deficientes. “Para gente é muito difícil, mas vai ser útil para nós mesmos, para podermos lidar com os alunos que vêm às nossas salas”, fala a professora e aluna do curso Ana Aparecida de Faria. Quarenta e dois profissionais ligados a área da educação estão sendo capacitados. O curso tem duzentas e setenta horas e as aulas são ministradas por quem conhece o assunto. A professora Luciane Barbosa é portadora de deficiência visual. Bem humorada, ela orienta o grupo a como se relacionar com os deficientes. “Além da grafia e da prática, passo algumas noções de relacionamento com um deficiente visual”, conta Luciane. Quem quiser se inscrever para as próximas turmas deve procurar o Centro de Assistência Educacional, que fica na Rua Godoy Neto, 396, no Bairro da Cruz. Fonte: http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=52562 Assista também ao vídeo...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quarta Aula de Braille em Lorena: leitura e Transcrição





Retomamos às atividades após uma pausa para a realização da palestra Escola, Família e Inclusão.
Nesta quarta aula de Braille a proposta foi direcionada às técnicas de leitura e transcrição Braille, a partir da entrega da apostila com atividades práticas e, todas elas impressas no código Braille. Importante salientar que as apostilas e todas as atividades foram elaboradas pela professora Luciane, especialmente para a capacitação de professores e, impressas no Departamento de Imprensa Braille da Sociedade Cultural Amigos do Centro Braille de Blumenau (ACBB). São 28 atividades distribuídas em 40 páginas que seguem as etapas de aprendizagem, equilibrando leitura, escrita e transcrição. Nenhuma atividade possui enunciado, isso porque, para cada uma delas, o comando será diferenciado para que possamos trabalhar noções diversas, ou seja, para cada atividade pretende-se atingir um objetivo específico e o domínio de algumas das habilidades necessárias ao aprendizado do código.
Iniciei a aula apresentando a 1ª série de sinais do código Braille, que contempla as letras "a", "b", "c", "d", "e", "f", "g", "h", "i" e "j". Essas 10 matrizes são as bases para as demais combinações. Solicitei que fizessem alguma comparação com esquemas visuais, já que a memorização das letras depende dessa associação, estabelecendo alguma imagem mental. Fizemos vários comentários pertinentes à simbologia e a escrita das letras no Braillete: observar os pontos superiores, inferiores, semelhanças, diferenças e espelho entre as letras. A partir da escrita no Braillete das dez letras do alfabeto, pedi para que criassem, em duplas, palavras e, também, as representassem utilizando os pinos.
Em seguida, introduzi o sinal de número, para que, quando acrescentados antes de cada letra, esta se transforme em numerais e os cursistas possam identificar o número e localizar as atividades na apostila.
Já com a apostila em mãos, trabalhamos as atividades de 1 a 7, com propostas variadas: observação, reconhecimento de letras isoladamente, identificação das letras no contexto das palavras, leitura individual, transcrição e escrita de palavras na grafia convencional. Socializamos algumas descobertas e, durante a realização das atividades, Apresentei as próximas 5 letras do alfabeto, dando início a 2ª série de sinais: "k", "l", "m", "n" e "o", formadas a partir da matriz "a", "b", "c", "d" e "e", apenas com o acréscimo do ponto 3. Mais algumas transcrições foram realizadas.
As correções foram feitas individualmente e verificou-se um bom domínio do código pelos cursistas, que se divertiram ao tentar "juntar" as letras e identificá-las no contexto das palavras, o que abre espaço para possíveis deduções e, assim, já começaram a memorizar os sinais. Mesmo com uma tabela contendo a simbologia como referencial, muitas vezes as palavras eram identificadas e compartilhadas entre os colegas, sem a necessidade de "olhar" um modelo.
Nas próximas aulas daremos início ao processo de escrita, utilizando os instrumentos reglete e punção. Até lá!!!

sábado, 27 de junho de 2009

Palestra Escola, Família e Inclusão em Lorena







A Palestra Escola, Família e Inclusão, com Fábio Adiron, realizada ontem, dia 26/06 a partir das 19:00 h, em Lorena, reuniu professores, estudantes e familiares de pessoas com deficiência, além de diversos profissionais da região empenhados na construção de uma escola democrática, e portanto inclusiva.
A palestra foi promovida pela Secretaria da Educação por meio do CIAE (Centro Interdisciplinar de Assistência Educacional) como mais uma, dentre as ações voltadas para a Inclusão dos alunos com deficiência na rede regular e, também, como uma forma de conscientizar a população para atitudes menos excludentes.
A Equipe do CIAE, responsável pela organização do evento, Juntamente com a coordenadora Elisabete Ferreira, estiveram presentes para receber o palestrante que, antes de iniciar sua fala, foi apresentado ao público. Representantes da Secretaria Municipal de Educação também estiveram presentes.
Utilizando o data show, Fábio falou durante quase duas horas e estabeleceu um diálogo com o público ali presente, esclarecendo sobre diversos temas, desde as fases históricas, suas experiências com inclusão escolar, até as relações escola/família: o papel de cada um e o que podemos fazer para evitar atitudes excludentes no nosso dia-a-dia.
Após um momento de perguntas e debate, a palestra foi finalizada com um agradecimento especial feito Pela Coordenadora do CIAE, com entrega de uma lembrança ao palestrante e a sua esposa e, em seguida, uma confraternização com a Equipe do CIAE.

SOBRE O PALESTRANTE:

Fábio Adiron: Pai de duas crianças (uma com Síndrome de Down), é consultor e professor de marketing. É membro da Comissão Executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e coordenador do CEMUPI - Centro de Estudos Multidisciplinar pró-Inclusão e do grupo de estudos Projeto Roma Brasil. É 1° Relações Públicas da Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down (gestão 2008-2010). Moderador dos grupos Síndrome de Down e Educação & Autismo e colaborador de publicações ligadas à educação e inclusão (Rede Saci, Planeta Educação, Tópicos em Autismo e Inclusão). Sempre com o PAI antes de qualquer título, afinal foi esse fato que o colocou nessa luta.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Terceira aula, já?



Os registros continuam e agora é a vez de contar como foi a 3ª aula do curso!
Desta vez as atividades tiveram um caráter mais dinâmico. A proposta era apresentar, em grupo, representações elaboradas a partir de "cenas" programadas e distribuídas entre os participantes. Todas as "cenas" deveriam ter, pelo menos, um participante cego e, para isso, utilizamos vendas de tecido. Outros objetos também foram utilizados para as encenações, como cadeira, bengala, obstáculos, entre outros.
As propostas com os temas foram as seguintes:
1.Conduzir o deficiente visual até uma cadeira para que se sente;
2.Caminhar, utilizando uma bengala como meio para locomoção;
3.Descrever uma cena ou um objeto para um deficiente visual.(Algo que esteja próximo e que possa ser tocado);
4.Oferecer ajuda a um cego que precise chegar a um local específico;
5.Ser o guia vidente de um deficiente visual em um espaço repleto de obstáculos;
6.Aproximar-se e afastar-se de um deficiente visual (cumprimento e despedida);
7.Um encontro casual entre uma pessoa e um deficiente visual com seu guia vidente (Como estabelecer um diálogo?);
8.Explicar direção a um cego e mostrar algo que esteja à distância;
9.Atender um deficiente visual que chega em um estabelecimento (loja, banco, padaria, restaurante etc.);
10.Ajudar um cego a atravessar a rua;
11. Entregar algum objeto para um deficiente visual.
Todas essas "cenas" foram representadas tendo como base o senso comum, ou seja, como os participantes agiriam em diferentes situações. Os participantes "vestiram a camisa" e deram uma interpretação própria, com muito humor, porque muitos deles se sentiram inseguros diante do desafio de serem vendados e, outros, na posição de videntes, não sabiam como se portar diante da situação.
Em seguida, distribui o texto "Dicas de Relacionamento com Deficientes Visuais", destacando, tópico a tópico os comportamentos que precisam ser evitados e, os mais adequados no convívio entre videntes e cegos. A leitura foi complementada com explicações e demonstração de como podemos nos relacionar e estabelecer um convívio mais harmonioso, respeitando as diferenças e limitações das pessoas.
A apresentação do filme "Cão-guia"(filme já postado neste blog) e um debate sobre a importância da audiodescrição e sobre o comportamento (ação/reação) dos protagonistas deram seqüência aos trabalhos sobre as "dicas de relacionamento".
Em seguida, entreguei a cada trio um Braillete e pinos, ensinando-os às primeiras representações Braille: "cela" Braille e letras "a", "b", "c", "d" e "e". Solicitei para que, utilizando essas letras, criassem palavras e, com os pinos, as representasse. Finalizamos a atividade com a socialização das descobertas, trocando os Brailletes entre os grupos para que as palavras fossem lidas. Assim, cada cursista teve a oportunidade de criar um mecanismo para identificar as letras.
Está chegando a hora de praticar! Nas próximas aulas utilizaremos uma apostila toda em Braille para direcionar nossas atividades, além do uso de instrumentos específicos para a escrita. Até lá!

Segunda aula de Braille em Lorena


Apesar de não publicar postagens já há mais de uma semana, os trabalhos seguiram. Talvez minha ausência seja justificada porque ainda mais um curso teve início nesse meio tempo, e desta vez na UNESP-Guaratinguetá. Porém, as aulas realizadas com os professores em Lorena continuam. Reservo esta postagem para contar um pouco sobre como foi nossa segunda aula.
Dando continuidade aos conceitos teóricos que envolvem todo o aprendizado das técnicas de leitura e escrita em Braille, nesse segundo encontro destinei um período para explicar detalhadamente como ocorre todo o processo, desde a estimulação até um nível mais avançado de alfabetização. Tudo isso tendo como base uma apostila teórica elaborada por mim.
Inicialmente o texto "Ler Braille é Preciso" foi lido por uma das cursistas e fizemos uma reflexão a respeito do significado que a leitura tátil tem para o cego (texto já publicado neste blog).
As leituras prosseguiram e foram alternadas entre os cursistas. Algumas pausas para a explicação dos conceitos e questionamentos deram um ar mais dinâmico para a aula. Os temas trabalhados foram: A Importância da Leitura, abordando aspectos referentes a compreensão do mundo por meio do domínio da linguagem escrita; Um Pouco de História, contando a trajetória de Louis Braille até chegar na invensão do seu sistema e uso entre os cegos; Cronologia, fazendo uma retrospectiva a respeito da adoção e expansão desse Sistema pelo mundo; Visão X Tato, traçando um comparativo entre esses dois sentidos, priorizando o tato que sustenta todo o aprendizado do Braille.
Em seguida, alguns materiais foram espalhados e distribuídos para que os alunos pudessem manuseá-los. Tratava-se de materiais para uso na fase preparatória (estimulação tátil) e para uso no processo de reabilitação: cadernos com atividades para coordenação motora, estimulação tátil, reconhecimento de formas, localização espacial, mapas em relevo, gráficos, entre outros. buscamos enfatizar as habilidades sensoriais, cognitivas e motoras que o aluno terá de adquirir.
Enquanto os cursistas exploravam os materiais, expliquei as diferenças entre a alfabetização de crianças e a reabilitação dos adultos e o que deverá ser priorizado em cada etapa. Em seguida, demos continuidade Às leituras. Os próximos assuntos foram: Alfabetização, destacando o processo silábico como o método mais favorável para o aprendizado do Braille, já que utiliza o tato como meio de exploração para combinar elementos isolados da língua e sintetizá-los em palavras e sentenças. Já no capítulo destinado a Leitura e Escrita em Braille, comentei o que deve ser evitado e as ações que precisam ser reforçadas para garantir um bom domínio do código; expliquei os movimentos de mãos e todas as dificuldades que envolvem o aprendizado. Em seguida apresentei dicas para Facilitar a leitura em Braille e dicas para Facilitar a Escrita em Braille, demonstrando na prática como essas dicas são valiosas e ajudam compreender a simbologia.
Para exemplificar como ocorre a produção Braille, levei os materiais próprios para a escrita em relevo: reglete e punção, que podem ser comparados ao caderno e lápis de quem enxerga, além das folhas que possuem uma gramatura especial. Comentamos sobre outros materiais utilizados para produzir o relevo no papel, tais como máquina de datilografia Perkins, impressoras e linhas - braille, contando como o Braille também interage com as novas tecnologias, ampliando, ainda mais, as possibilidades do deficiente visual.
No último capítulo a ser trabalhado, o assunto foi Transcrição, que consiste no ato de interpretar, com caracteres convencionais (impressos em tinta ou manuscritos) os caracteres do código Braille, tornando-os legíveis a qualquer pessoa que não conheça sua estrutura.
Assim, finalizei a Segunda Aula, convidando-os a participar de uma dinâmica que seria realizada na semana seguinte. Até a Próxima!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Professora do Curso de Braille parabeniza Secretaria da Educação


09/06/2009 12h30m
Professora do Curso de Braille parabeniza Secretaria da Educação
 
Professora parabeniza Secretaria da Educação 

A professora e deficiente visual Luciane Maria Molina Barbosa parabenizou, por e-mail, a Secretaria da Educação e o Centro Interdisciplinar de Assistência
Educacional, CIAE - pela iniciativa de oferecer o Curso de Braille para os professores da rede municipal.

“Gostei demais da matéria publicada sobre o Curso de Braille oferecido aos professores da rede municipal. Realmente só tenho que agradecer ao apoio da
Secretaria da Educação e do CIAE que acreditaram neste trabalho inovador e necessário para garantir aos deficientes visuais uma educação de qualidade.
É a maneira de quebrar certos mitos que se cria em torno da pessoa com deficiência, sem que para isso, precise usar de sensacionalismo para comover as
pessoas. Eu, como deficiente visual e professora do curso, sinto-me realizada em poder ampliar a cada dia essas possibilidades aos alunos com alguma dificuldade
em sala de aula. Parabéns pela matéria. Realmente eu estava ansiosa para que essa divulgação acontecesse, pois somente a partir da conscientização podemos
ampliar essas nossas possibilidades”, escreveu a professora.

Foram abertas duas turmas do Curso de Braille, uma nas terças-feiras das 19h às 22H, na Escola Municipal Conde de Moreira Lima e outra as quintas-feiras
das 8h às 11h no CIAE. As aulas são o módulo II do curso de Inclusão oferecido pelo CIAE.

Fonte: www.lorena.sp.gov.br

sábado, 6 de junho de 2009

Nossa Primeira Aula do Curso



A educação inclusiva assume um papel de destaque a partir do momento em que se verificou o fortalecimento de discursos e de propostas de uma "Educação" para todos. Esse direito ao acesso e permanência das pessoas com deficiência, nos espaços comuns é marcado, sobretudo, pela matrícula desse aluno na rede regular, opção que a legislação brasileira coloca como preferencial. Porém, ém nenhum momento esse "estar juntamente com outros" pressupõe que o ser incluído precisa ser igual ou semelhante aos demais aos quais se agregou. Dentro dessa visão, está claro que o professor precisa estar aberto e se adequar às necessidades de seu aluno, buscando meios de contemplar essa diversidade. Será por meio da capacitação e da formação docente que podemos atingir o maior número de profissionais e sensibilizá-los para a verdadeira inclusão; uma inclusão que depende de nós, mas que, enquanto não for de todos, não existe.
Mais do que a realização de um "sonho", capacitar professores em Grafia Braille é abrir caminhos para que o deficiente visual tenha suas potencialidades valorizadas e possa ter sua formação acadêmica garantida. Desta forma, criar e recriar meios de convívios e adaptações é uma realidade muito presente quando falamos em Inclusão escolar.
Pensando em divulgar ações que estejam relacionadas com a inclusão do deficiente visual, quero, aqui relatar, nossos esforços para que os profissionais recebam uma formação voltada ao atendimento do deficiente visual matriculado em classes regulares, a partir de abordagens teóricas e práticas sobre o Sistema Braille.
Conforme matéria divulgada abaixo (citada fonte), as aulas tiveram início nesta semana. Divididos em duas turmas, cerca de 42 profissionais terão a oportunidade de participar deste projeto pioneiro no município de Lorena. Nessa 1ª aula, após a abertura com presença de autoridades, os alunos, que fizeram uma breve apresentação falando sobre suas expectativas em relação ao curso, tiveram a oportunidade de conhecer o programa do curso: objetivos, conteúdos, estratégias, Recursos e formas de avaliação. Por meio da apresentação de um slide, Alguns dados sobre cegueira e baixa visão e estatística sobre deficiência visual, deram continuidade à parte teórica da aula. Em seguida, ficaram sabendo um pouco mais sobre o Sistema Braille, da origem aos dias de hoje, incluindo biografia de seu inventor. A partir desse conhecimento, uma dinâmica com palavras e letras escritas no código Braille foi apresentada aos cursistas, que se divertiram ao tentar adivinhar algumas combinações e letras feitas em uma "cela" Braille em tamanho ampliado. As atividades tiveram continuidade com uma exposição de materiais/jogos adaptados, livros, materiais de escrita Braille (reglete e punção), perguntas dos cursistas e sorteio de calendários e livro de história, ambos em Braille com transcrição em tinta. Finalizei a apresentação com a entrega de uma apostila teórica e abrindo espaço para que pudessem observar e manusear alguns materiais da exposição.
Começamos a perceber a importância que esses professores/multiplicadores terão a partir dessa formação. Que nas próximas aulas possamos semear, juntos, esses pontos de luz, tão grandiosos e valiosos para a construção do conhecimento. Está nas nossas mãos!!!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Curso de Braille oferecido pela Prefeitura de Lorena Capacita Professores


05/06/2009
Prefeitura oferece curso de Braille para profissionais da educação
Secretaria da Comunicação
 
Objetivo é incluir na escola regular os alunos com deficiência visual 

Com os objetivos de promover a inclusão dos alunos deficientes visuais e de capacitar os educadores da rede municipal, a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria da Educação oferece aos professores, gestores, orientadores pedagógicos e interessados da rede municipal da educação, um curso de Braille.

“Oferecer essa capacitação é mais uma maneira encontrada pela Secretaria para ajudar na inclusão dos alunos com deficiência. É nossa obrigação oferecer educação de qualidade para todos”, ressalta o Secretário da educação, Professor Elcio Vieira.

As aulas serão ministradas pela professora, pedagoga e especialista em Braille, Luciane Maria Molina Barbosa, com a orientação da coordenadora do CIAE (Centro Interdisciplinar de Assistência Educacional) Elisabete Ferreira.

Foram abertas duas turmas, às terças-feiras,das 19:00 h às 22:00 h, na Escola Municipal Conde de Moreira Lima e outra às quintas, das 8:00 h às 11:00 h, no CIAE.

“As aulas terão abordagens práticas e teóricas com o objetivo de sensibilizar os profissionais promovendo adaptações curriculares e pedagógicas para que eles possam atender o aluno que possui alguma dificuldade visual” disse a coordenadora do CIAE.

As aulas são o módulo II do curso de Inclusão oferecido pelo CIAE.

Fonte: www.lorena.sp.gov.br

sábado, 23 de maio de 2009

Por Helen Keller

"Louis Braille morreu como ser humano completo, apesar de cego. Magnífico, porque usou magnificamente aperda da visão para libertar seus aflitos semelhantes. A atividade incansável de sua mente luminosa e Científica, sua serenidade e paciência, seu talento Criativo como professor, a riqueza de seu coração consumido em incontáveis doações secretas, tiradas de suas escassas economias, para os necessitados cegos ou não, são um inestimável legado."

(helen Keller)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Braille e seus múltiplos sentidos

Desde que perfurei o meu primeiro ponto em Braille, há cerca de 12 anos, e que, a partir dele, milhares de outros surgiram para contar através do relevo o que as letras em tinta já não conseguiam expressar, um misto de sensações transformaram essas singelas experiências em momentos únicos e ricos de descobertas.
O prazer da leitura, como algo mágico, antes tão distante do meu mundo real, despertava dentre tantas outras possibilidades, as percepções e o encanto de viajar através daqueles 6 pontos, que teciam as letras e as palavras e a luz que elas poderiam me proporcionar, a partir dali. O Braille, antes de qualquer coisa, foi a libertação que me faltava para passos ainda mais largos rumo ao conhecimento; um conhecimento que, até então, dependia de alguém que pudesse "desembaralhar" as letras e trazê-las até mim. E bem sabemos que há momentos em que o prazer de "conhecer" e "descobrir" outras realidades esbarra na necessidade de se estabelecer um contato direto com o objeto de estudo, em que a individualidade e a subjetividade fazem muita diferença nessa viagem ao interior de nós mesmos para se permitir buscar um entendimento daquilo que se lê.
As letras sob os dedos permitem além da percepção do seu relevo simétrico, a exploração de um conhecimento a partir da maciez e da suavidade de um universo que, ao mesmo tempo é tão individual e tão coletivo. Descobrimos, por exemplo, que o Braille foi uma descoberta brilhante e que essa luz continuará acesa em nossos corações...
Hoje, mesmo sabendo que o Braille não representa a única forma de acesso ao conhecimento, afirmo que ainda é o único método capaz de nos conduzir a uma leitura diferente. Uma diferença que não pode ser vista nem por meio do alfabeto convencional nem por meio do alfabeto tátil, mas, que sendo única, pode ser compreendida em suas singularidades, a partir de cada história construída, em cada informação compartilhada, em cada sonho transcrito a partir das realidades mais diversas. No ano em que comemoramos os 200 anos do inventor do Sistema Braille, queremos mostrar que, além da libertação intelectual dos cegos, esses múltiplos sentidos que o Braille nos trás ao ser tocado, se reproduz, se transforma, se reinventa e tem sua própria vida... está nas nossas mãos multiplicar essas sementes e escrever muitas outras histórias e recriar tantas outras formas de ampliar esses pontinhos miúdos, tornando-os ainda maiores e grandiosos de significados.

Luciane Molina

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Que tal fazer a Diferença!


Nesta coluna, coloco em pauta um assunto bastante explorado nos dias atuais e, talvez por isso, seja visto como a "moda" pedagógica: a inclusão do deficiente, em particular, do deficiente visual. No entanto, pretendemos que os esforços e as ações para uma efetiva inclusão não contemplem, apenas, às exigências teóricas daquelas "idéias"  impostas por livros ou, até mesmo, por força de leis, decretos e portarias. E para que a "inclusão" não seja apenas encarada como uma "moda",  Esse movimento precisa ganhar espaço, em primeiro lugar, dentro de cada um de nós e, na maneira como entendemos e convivemos com a diversidade e, a partir daí, para ações mais amplas e coletivas.Então, reproduzo aqui um "trecho" do texto que preparei para uma palestra, a partir do tema: "Que tal fazer a diferença!"  
"Em primeiro lugar, falar sobre deficiência é falar de uma realidade pouco conhecida, mas que não deve ser encarada como diferente. Isso porque essa crença das diferenças pelas deficiências cria um certo distanciamento entre o que, realmente, conseguimos realizar e o julgamento das nossas capacidades. Assim, acredito na inclusão quando ela não coloca seus "sujeitos" em condições diferentes; quando ela não garante apenas o espaço, mas o convívio; quando não somos o diferente, mas fazemos a diferença com nossa presença; quando não somos apenas para cumprir lei de quotas; quando não formos mais os alunos de inclusão numa escola regular; quando deixarmos de ser a "deficiência" para assumirmos nossa verdadeira identidade.
Então que tal fazer a diferença?
Depende de cada um de nós fazer essa diferença e mudar o foco dos nossos olhares, da deficiência na pessoa para a pessoa com deficiência. Isso porque a inclusão não deve ser imposta por livros, por teorias ou idéias, pois sabemos que na prática é diferente, não acontece assim. As realidades são muitas e oferecer uma receita sobre o assunto pode padronizar essas realidades e prejudicar a forma como se encara essa inclusão; Ela deve partir de cada ação, de dentro para fora. E eu vou repetir, aqui, uma fala que sempre dou início aos meus cursos: "Vocês serão os multiplicadores
de cada nova informação sobre deficiência. Compartilhar em casa, no trabalho, com amigos e familiares é a melhor maneira de levar, para a  maior quantidade de pessoas possível, a conscientização sobre como as nossas ações podem contribuir para a aceitação das diferenças, e para que essas barreiras atitudinais sejam eliminadas desse processo de inclusão! 
E é isso que pretendemos: quebrar esse "mito" que se cria em torno da pessoa com deficiência, em particular, da pessoa com deficiência visual, suas facilidades para desempenhar algumas tarefas ou, dificuldades para realizar outras.
Para começar, eu acredito que apenas a deficiência visual não pode caracterizar uma pessoa como portadora de necessidades especiais. O simples fato de "fugir"
aos padrões impostos pela sociedade, como ser gordinho ou magro demais, baixo ou exageradamente alto, loiro, negro e, tantos outros exemplos da diversidade humana, já nos coloca em posição de ter uma necessidade especial em determinadas situações.
Então, nós não somos a deficiência, nós temos uma deficiência. Aí voltamos lá nas facilidades e dificuldades ... A falta de um dos sentidos, no caso a visão, nos obriga prestarmos a atenção em pistas que, para quem enxerga ficam mascaradas.
A visão ela nos fornece muitas pistas, talvez as mais relevantes, porém ela também ilude e camufla outras pistas e outras referências tão importantes quanto as visuais. Por exemplo, quando alguém fala que um cego escuta melhor. Nós não temos maior capacidade de audição. Apenas aprendemos a prestar mais a atenção nos sons e desenvolver mecanismos pra suprir a ausência do visual.
Nós tiramos as informações dos outros sentidos, tato, olfato, audição... Os aromas, para quem se locomove sozinho, são necessários para a localização de um ponto. Por exemplo o cheiro de farmácia, de supermercado, de grama cortada, entre outros.
O tato tem uma capacidade impressionante de percepção e assim a gente vai encontrando mecanismos de adaptação às situações diversas. Importante lembrar, também, que cada deficiente visual pode agir de maneira diferente, evitando a padronização. Alguns podem ter  extrema facilidade para reconhecer vozes de quem chega e fala com ele, outros, já precisam de uma ajudinha extra! E tantos outros exemplos...
Quanto as dificuldades: muitas vezes elas caem para o campo do assistencialismo ou da piedade. Querer poupar as pessoas com deficiência da realização de determinada tarefa, é não acreditar na potencialidade dela.
Um exemplo que acontece demais nos espaços escolares, é o professor que, talvez por comodismo ou por desconhecer uma ação verdadeiramente inclusiva, atende o aluno no mesmo espaço físico, porém o exclui das atividades em grupo. A prova oral, por exemplo, marca muito essa ação. Nem todo aluno se sentiria bem fazendo uma prova oral, sendo avaliado em cada palavra, em cada gesto. ela só seria inclusiva, realmente, se a oportunidade fosse coletiva, para todos, e não apenas para aquele aluno, por causa da deficiência. O professor, os familiares, amigos, enfim, toda a sociedade, precisa se organizar e buscar essa informação. Hoje em dia, nossa realidade está muito mais ampla, principalmente com o uso da tecnologia." Mas será que toda facilidade trazida pelo universo tecnológico atenderia todas às necessidades de adaptações para quem não vê? É claro que qualquer novo recurso ou ferramenta nos abre infinitas possibilidades de interações, porém temos que tomar muito cuidado, porque, por mais comodismo e facilidade que pareça existir, jamais será suficiente para substituir a relação humana.
Cada situação deve ser compreendida como única e, as ações determinadas pelas necessidades das pessoas nessa interação. Caímos naquela história, bastante discutida entre os profissionais que trabalham com Deficiência visual: Qual método é mais eficaz - Braille ou informática? Não podemos determinar o melhor ou pior, já que nessa busca pela inclusão, seria incoerente excluir quaisquer formas de contato com conhecimento; e essa idéia de complementar deve ser expendida a qualquer outra necessidade. 
Deixar com que as situações e os sujeitos determinem essa necessidade e, principalmente, usar tudo aquilo que estiver ao alcance para complementar e, assim, diminuir as barreiras entre o impossível e o provável.
Então, são nas pequenas ações que podemos fazer a grande diferença e, não apenas, olhar o "diferente" que está perto de nós... a inclusão é nossa!!!

Luciane Molina