quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Avaliação: aula 16 em Lorena








Como mencionado no último relato sobre as aulas de Braille em Lorena, chegou a hora da avaliação. Reforço sempre que este é, não apenas um momento para verificar erros e acertos, mas será um momento de fazer uma reflexão sobre tudo o que foi apresentado, a respeito das propostas e dos avanços individuais e coletivos. É, portanto, um momento para uma auto-avaliação, rever conceitos e reorganizar todas as técnicas, estruturando-as em uma produção de texto, o que seria a última etapa para se atingir a alfabetização Braille. Solicitei que, individualmente, produzissem um texto, cujo tema seria: Uma Reflexão sobre o Curso de Braille. Nessa produção cada cursista deveria expressar suas expectativas e impressões sobre tudo o que foi construido e, o que ficaria a partir dali; como seria a relação entre ele e o seu aluno, no caso da necessidade de se aplicar tais técnicas de alfabetização Braille; o que acrescentou e qual seria a mensagem que ficou deste curso, para cada um dos alunos ali presentes. Lembrei que precisariam formular as idéias e registrá-las diretamente no papel, em Braille, sem fazer qualquer tipo de registro em tinta. Acrescentei também a necessidade do registro conter um título, obedecer parágrafos, pontuações e, no final, além do nome em braille, uma assinatura, em tinta, do cursista, já que tal avaliação será um documento de sua participação e presença nesta última etapa.
Coloco, aqui, algumas fotos das alunas realizando a avaliação, escrevendo em Braille no reglete.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma Homenagem

Quero compartilhar com vocês a homenagem feita por um aluno do curso Grafia Braille, Módulo 2009 da UNESP.O aluno Delamare M. C Filho fez o vídeo apresentado abaixo contendo fotos das aulas e de todos os trabalhos desenvolvidos. Aqui o meu "muito obrigada" a ele e a todos os cursistas!

Semeando Leitores e Escritores Competentes: Reconstruindo o Diálogo para a Inclusão de Deficientes Visuais

O vídeo apresenta as fotos do trabalho desenvolvido na UNESP: capacitação de professores em Grafia Braille.

domingo, 15 de novembro de 2009

Palestra em Cruzeiro














Ontem, dia 14/11, fui uma das palestrantes da Jornada Científica realizada na
Escola Superior de Cruzeiro, na cidade de Cruzeiro - SP. Aceitei o carinhoso
convite da professora Vanda, que me recebeu muito gentilmente e acompanhou
todo o evento. A palestra teve início às 14:00 H e durou pouco mais de duas horas.
O público alvo foi estudantes de pedagogia e alguns profissionais da educação
convidados para assistirem a apresentação. Todos ficaram atentos ao que foi mostrado e, no final, houve um momento para perguntas, dúvidas e esclarecimentos.

O tema Deficiência Visual e Inclusão foi abordado a partir de diferentes focos, começando por uma exposição de materiais e jogos pedagógicos, livros em Braille, instrumentos de escrita Braille, soroban, bengala, etc. Contei sobre minhas experiências, trajetória e atuação profissional. Fiz uma introdução teórica sobre a definição da deficiência visual, dados estatísticos, informações básicas sobre como os cegos captam os estímulos do ambiente, entre outros, isso tudo utilizando o datashow, para que todos acompanhassem e, inclusive, pudessem participar fazendo a leitura em voz alta do conteúdo apresentado na tela. Em seguida, falei com maior detalhe sobre o Sistema Braille, sua origem, seu inventor, mostrando os materiais e dando a oportunidade para que cada pessoa, ali presente, pudesse manuseá-los. Durante toda a apresentação o foco esteve na acessibilidade para a inclusão e, para isso, também conversamos sobre os leitores de tela e a leitura do mundo, demonstrando o uso da informática por pessoas cegas; sobre os livros sonoros e a diferença entre áudio livro e livro falado; sobre as formas de leitura: Braille, e digital, suas vantagens e desvantagens; sobre a áudio-descrição, inclusive com um exemplo de comercial sem o recurso e o mesmo, já com a áudio-descrição e, como os professores podem aplicar a áudio-descrição dentro da sala de aula; falei sobre orientação e mobilidade e as formas de locomoção do deficiente visual; também abordei aspectos referentes a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, diferenciando o que seria uma adaptação razoável e o conceito de desenho universal.

Publico aqui algumas imagens da palestra. Foi uma experiência bastante rica e
tenho certeza que pudemos espalhar mais algumas sementinhas para a construção
de uma sociedade mais democrática e inclusiva!

Legenda de fotos:

Foto 1: Imagens de materiais em uma mesa.

Foto 2: Luciane iniciando a palestra, com o roteiro na mão.

Foto 3: Luciane mostrando o alfabraille em EVA.

Foto 4: Luciane apresentando o reglete de mesa.

Foto 5: Luciane apresentando o reglete de plástico.

Foto 6: Luciane mostrando um livro acessível, escrito em Braille e com caracteres ampliados.

Foto 7: Livro em Braille, interpontado.

Foto 8: Luciane mostrando alguns desenhos com contornos em relevo.

Foto 9: Luciane apresentando alguns materiais em relevo do Instituto Benjamin Constant.

Foto 10: Um dado com números, formas geométricas e representações em Braille.

Foto 11: Luciane manuzeando o girabraille.

Foto 12: Luciane demonstrando a escrita Braille em uma lousa magnética.

Foto 13: Luciane recebendo um vaso de flor da professora Vanda.

Continuação dos relatos de aula em Lorena: aulas 13, 14 e 15...

A correria do dia-a-dia, mais uma vez, me fez ausentar do blog e atrasar algumas postagens com relatos de aulas em Lorena. Hoje, nesse domingão quente e com muuuuito sol lá fora, tentarei colocar todas as postagens em dia e, contar as novidades dessas últimas semanas, que envolveram congresso, palestras e, até mesmo, o início de aulas de informática. Com detalhes em outras postagens.

Aqui relatarei os acontecimentos das últimas três aulas em Lorena: aulas 13, 14 e 15.
Na aula 13, havia pedido aos alunos que levassem para a aula recortes de revistas, jornais, pequenos textos ou artigos, exceto poesias, para que realizássemos nossos trabalhos. A atividade consistiu em escrever em Braille aqueles textos levados por eles. Como o texto deveria estar em tinta e, provavelmente com uma letra de imprensa (pequena para os padrões do Braille), o objetivo foi verificar que, quando vai se transcrever um texto para o Braille, este ficará muito maior do que o original quanto a sua distribuição no papel, lembrando que cada 6 ou 8 linhas impressas a tinta pode corresponder a uma página inteira escrita em Braille. Também foi possível ter a experiência de utilizar duas formas de escrita diferentes, em simultâneo, sendo que a leitura era pela grafia convencional em tinta e a escrita, totalmente em Braille. Quando se faz essa "decodificação" é preciso ativar, com maior precisão, as imagens mentais criadas para a memorização das letras, já que não as temos formadas ali diante de nós; as palavras não estão prontas e suas configurações dependem do prévio domínio dessa estrutura lógica dos pontos que, combinados, podem dar sentido ao que queremos representar. É um dos estágios mais avançados e, mesmo permitindo a consulta de alguns pontos, quando estes ainda não eram do domínio dos cursistas, tal atividade possibilitou um contato muito mais "prático", pois cada cursista teve que buscar meios para juntar essas letras em palavras e sentenças, envolvendo, inclusive, normas técnicas, tais como parágrafo, espaçamentos para títulos, pontuação e, até mesmo, escrita de numerais. No final, trocamos as produções entre os cursistas para que eles pudessem experimentar a prática da transcrição. O diferencial é que, desta vez, a transcrição não aconteceu a partir de uma atividade previamente elaborada na apostila, e sim de uma atividade que teve abertura para erros, para pontos a mais, a menos, trechos apagados, entre outros. Foi uma produção real, um contato com o trabalho de outro colega e que, como transcritor deveriam obedecer fielmente o que estava grafado, não cabendo, portanto, correções. Como vimos, o transcritor deve apenas "interpretar" a informação para a grafia convencional, reproduzindo, inclusive os erros presentes naquela produção. E assim, demos fim a aula 13, quando novamente destrocamos as produções, devolvendo-as para quem a produziu que, puderam conferir seus erros conforme o que foi transcrito e compará-las com o texto em tinta que tinham em mãos e que deu origem a todo o trabalho.

Para a aula 14 voltamos a utilizar a apostila, cuja atividade consistia em criar frases utilizando 21 palavras previamente escolhidas pela professora e apresentadas em Braille. Os cursistas deveriam, portanto, registrar essas criações em Braille, sem fazer qualquer tipo de anotação em tinta ou rascunho. O objetivo, desta vez, foi colocá-los em contato direto com o Braille, cujas manifestações deveriam ser registradas diretamente neste código e, consequentemente fazer com que pensassem em Braille, formulassem as palavras e sentenças, organizando toda essa estrutura no mesmo momento em que a escrita espontânea acontecia. Para finalizar, pedi que fizessem a leitura individual e silenciosa das frases criadas e observassem se tinham coerência e sentido, analisassem alguns erros que pudessem ter ocorrido no momento do registro.

Já para a aula 15, coloquei os cursistas em contato com uma poesia impressa em tinta. Deste modo orientei sobre as normas técnicas para a escrita de poemas, com versos e estrofes e pedi para que copiassem o poema em Braille, seguindo todas as referidas normas. O poema trabalhado foi: "Paraíso" de José Paulo Paes. A correção foi feita individualmente pela professora. Essa atividade teve como objetivo mostrar que, diferentes gêneros de textos também possuem diferentes formas e normas para a escrita em Braille, já que o texto precisa seguir um padrão estético e lógico, que seja agradável para ser lido por um cego, cujos movimentos de mãos são decisivos para uma leitura precisa e veloz.
Nesta aula, também, apresentei alguns conceitos e simbologias da matemática, não me estendendo muito, já que a matemática faz parte de um segundo módulo, o Braille avançado. Orientei os cursistas para que conhecessem representações numéricas, com 1, 2, 3, 4 caracteres e, assim, sucessivamente. Apresentei os sinais para as operações básicas, como adição, subtração, multiplicação, divisão, sinal de igualdade, bem como saber registrar as expressões matemáticas, tendo em vista que não há espaços vazios entre os sinais. Em seguida, mostrei alguns exemplos para representar moedas, frações, números ordinais e porcentagem. Assim finalizamos nossa aula.

Lembro que, para a aula 16, realizaremos uma avaliação. O objetivo não será apenas verificar os erros e acertos. Será um momento de reflexão e de uma auto-avaliação... mais detalhes, somente no dia da provinha! * risos*

Para estudar, reservei, na apostila, algumas atividades. Elaborei o Material Complementar que fica ao final da apostila para que possam estudar um pouco mais sobre tudo o que foi trabalhado no curso. O estudo ficou a critério de cada cursista: leitura, transcrição, cópia.

Nos encontramos semana que vem! Até lá! E aos cursistas, parabéns por cada atividade finalizada, pelo empenho e participação. Boa avaliação e até lá!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Reta Final: Aula 12 em Lorena

Mais um encontro, nova etapa! Agora é a vez de trabalharmos em duplas e verificar, dentre os membros de cada uma delas, quem possui maior habilidade para a escrita e quem possui maior habilidade para a leitura. A atividade consiste em ler um texto em Braille, sem prévia transcrição e, organizar as tarefas de modo que um dos membros da dupla fique responsável pelo ditado e, o outro, pela escrita, utilizando reglete e punção. É claro que deve-se observar todos os critérios e normas técnicas para a produção de textos em Braille, respeitando parágrafos, títulos, espaçamentos, pontuação e acentuação.
Já estamos na reta final e, por isso, as atividades tornam-se mais complexas, com um nível mais avançado, já que o profissional do Braille deve perceber todas as peculiaridades deste sistema e adequá-los à realidade de seus novos alunos. Não devemos poupá-los dos esforços que terão de fazer, nem mesmo deixá-los às margens do conhecimento por desconhecer algum aspecto do Sistema. É de extrema importância criar metas e buscar desafios que venham suprir todas as necessidades de uma alfabetização plena e eficaz.
Pensar em uma aula inclusiva, não apenas adaptando um único material para determinado aluno, em exclusividade, não garantirá a qualidade ou a participação de todo o grupo. As aulas precisam ser pensadas para todos e, quem sabe, sendo assim, possa haver uma maior integração e participação dos demais colegas. Cabe lembrar sobre a interação que deve haver entre professor, aquele mediador da aprendizagem, e entre os alunos com ou sem deficiências para que o trabalho seja, realmente, significativo. Todo o grupo deve perceber que estão trabalhando em uma equipe e que, em conjunto, são capazes de construir um aprendizado e atingir as metas.
Sugiro trabalhar com materiais concretos, organizar jogos cooperativos, construir materiais que todos possam utilizar, tais como alfabeto móvel, bingos, caça-palavras, dominós, enigmas, etc. Brincadeiras e dinâmicas que envolvam todo o grupo também ajudam nesses estágios, sempre tendo o Braille como "referência" nessas atividades. Assim, até mesmo quem enxerga pode tomar contato com esse código, sendo um meio de inclusão e do "não" isolamento cultural das pessoas cegas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Décimo Primeiro Encontro: Aula de Braille em Lorena

Como mencionado nas postagens anteriores, as quais tenho divulgado as etapas que compreendem o aprendizado do Braille por videntes, temos a proposta deste encontro baseada na leitura e reprodução de um texto sem que o mesmo seja transcrito. Desta vez o objetivo foi "visualizar" uma produção Braille e conseguir identificar palavras e sentenças apenas pelos símbolos em relevo. Neste momento a transcrição não foi recomendada, pois os profissionais deveriam conseguir compreender, por exemplo, a produção de um aluno que chega para pedir auxílio, evitando, portanto, ter de realizar a transcrição para manifestar-se quanto às possíveis dúvidas desse aluno. É como se comparássemos a situação em que o professor, atuando como mediador da aprendizagem, fizesse intervenções em alguma produção individual escrita em tinta de seu aluno, apontando os acertos ou corrigindo, se necessário. Neste caso, não podemos deixar com que o código Braille, como um método de escrita e de acesso à informação pelo deficiente visual, seja conhecido somente a partir de uma prévia transcrição, trazendo, assim, certa defasagem no acompanhamento global em sala de aula.
Além da abordagem prática leitura X cópia, o texto em questão veio reforçar conceitos sobre letras acentuadas, sinais de pontuação e sua aplicação em um texto, parágrafo e normas técnicas de produção de texto, revisão, escrita de títulos, centralização, entre outros. A atividade trouxe muita motivação, porque nesse momento os cursistas tiveram uma melhor percepção de que já conseguem "ler" e fazer, ao mesmo tempo, o registro, reconhecendo a "reversibilidade" para a escrita. Muitas letras, por já terem sido memorizadas, não foram consultadas no momento da cópia, o que reforça ainda mais a importância de se seguir etapas e critérios para consolidar esse aprendizado, não bastando apenas a decodificação dos sinais.

Até o próximo encontro!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

Nona e Décima aula de Braille em Lorena: Frases, Pontuação e Acentuação

Por aqui voltei para contar sobre as aulas 9 e 10 de Braille. Resolvi descrevê-las em uma única postagem, porque se tratam de conceitos mais avançados. Na nona aula apresentei os sinais de pontuação e suas aplicações em frases, algumas normas técnicas quanto a escrita de pontuações e parágrafos, disposição e distribuição do texto no papel. Fizemos uma leitura compartilhada, em que cada cursista esteve responsável pela leitura de uma frase, sem que esta estivesse transcrita. Na medida em que eram lidas, os sinais de pontuação foram identificados quanto a posição dos pontos correspondentes ao símbolo ali representado. Neste momento aceleramos um pouco para atingir algumas metas previstas. Apresentei o sinal correspondente ao "ç" e a transcrição de Algumas palavras. Para reforçar a escrita e leitura de sinais de pontuação e sua aplicação em frases, pedi a transcrição e a reescrita, em Braille, de "frases" e, desta vez, utilizando palavras com o "ç". Na décima aula chegou a vez de levar ao conhecimento dos cursistas as letras acentuadas. Fizemos algumas transcrições, correções e reescrita, em Braille. Para as acentuações não seguimos a mesma lógica do alfabeto, cujos pontos eram acrescentados ou retirados a partir de uma matriz. Cada acentuação exige uma combinação específica e, muitas vezes, a leitura acontece por "dedução". Neste momento é preciso ter bem estabelecidas as "imagens mentais" de todo o alfabeto, evitando dúvidas e trocas de sinais. A noção de reversibilidade no momento da escrita também é outro fator determinante e que, nesta etapa, é preciso estar bem consolidada.
Até a próxima aula... os textos estão vindo por aí!!!

Clique aqui e obtenha uma tabela com a Simbologia Braille Básica

sábado, 26 de setembro de 2009

Oitava Aula em Lorena: Braille em negro

Nesta semana apresentei o restante do alfabeto, indicando a terceira série de sinais, cujas representações dos símbolos são formadas mediante ao acréscimo do ponto 6 às combinações da segunda série de sinais; tendo como matriz referencial a primeira série de sinais, o acréscimo, então, será dos pontos 3 e 6. Neste momento deixei claro que na seqüência "u, v, x, y, z" não encontramos o "w", porque esta letra foi agregada ao conjunto de pontos 12 anos mais tarde, em 1837, mas apesar disso, ela faz parte do alfabeto. Portanto este sinal passa a pertencer a quarta série de sinais, a qual veremos mais tarde em detalhes, dando continuidade a estrutura lógica da simbolização.
Como a proposta do curso inclui várias estratégias para o domínio da escrita e leitura, desta vez apresentei uma nova forma de um vidente entrar em contato com a "grafia" Braille, através do desenho dos pontos, marcados em negro no papel, por meio de uma fonte específica, utilizada em editores de texto. A definição para esse tipo de registro é:

* Braille em Negro - Representação de símbolos Braille com pontos em tinta. Pode ser produzido à mão ou em computadores, utilizando-se "fontes Braille".

No caso, a proposta de atividade apresentada foram 3 caça-palavras, utilizando-se do Braille a negro, com a fonte BrailleKiama ou Simbraille. Os cursistas deveriam reconhecer o "desenho" das letras e identificar as palavras, em diferentes posições, como em um caça-palavras convencional. Para a outra turma, ofereci 80 palavras para a leitura, com a proposta de estudo das letras, da configuração das palavras e um posterior ditado, utilizando algumas das palavras lidas.
Para quem vê, observa-se uma significativa diferença entre a experiência de ler o Braille em relevo e ler o Braille em negro, mesmo utilizando o sentido da visão em ambos os casos. É bastante complexa a leitura "plana" sem a representação dos pontos salientes. Porém, este exercício é extremamente válido, já que a observação do "desenho" das letras acontece com maior nitidez e detalhes, apesar de parecer que, entre as linhas e entre as letras, há um intervalo menor.

Boa leitura!!!

sábado, 19 de setembro de 2009

Sétima Aula em Lorena: O Ditado

Decodificar pontos em letras: ao contrário do que se pensa, essa experiência não é determinante para se garantir um bom domínio da Grafia Braille, menos ainda, para se colocar em prática as técnicas de leitura e escrita em relevo quando se trabalha visando a inclusão do aluno com deficiência visual no ensino regular. Esses profissionais devem, antes de mais nada, compreender as produções desses alunos, integrando meios, recursos e metodologias para que todos possam participar das aulas. Compreender e acompanhar seu aluno com deficiência visual implica, principalmente, em estabelecer a afetividade, numa relação de confiança; trazer para o espaço escolar a proposta de uma comunicação com qualidade, saber orientá-lo para a realização das atividades e fazer intervenções pertinentes ao uso e aplicação da Simbolização tátil utilizada em seus registros e produções escolares. No entanto, o domínio de todos esses aspectos específicos da Grafia Braille está sendo conseguido, gradativamente, no decorrer das aulas, com atividades programadas para esse fim. Em alguns momentos, priorizamos a leitura e a reescrita. Em outros, a transcrição e a cópia. Para a escrita, ora enfatizamos a visualização das letras individualmente para formar palavras, ora solicitamos a leitura global da palavra, observando sua configuração. O maior desafio desta semana foi um Ditado, em que o cursista poderia consultar quais pontos formam as letras, porém deveriam exercitar a reversibilidade para a escrita, registrando as palavras diretamente em Braille. Assim, evitou-se essa "decodificação", empregando estratégias para elaborar, mentalmente, a configuração tátil/visual das palavras, como um todo.

Aguardem o próximo "desafio"! Até lá...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Comunicado da Organização Nacional de cegos do Brasil (ONCB) - Bicentenário de Louis Braille

A Organização Nacional de Cegos do Brasil, ONCB, fará realizar, nos dias 24 e 25 de setembro, no auditório Nereu Ramos, do Senado Federal em Brasília, o Seminário Brasileiro em Comemoração ao Bicentenário de Nascimento de Louis Braille, inventor do sistema de escrita das pessoas cegas (1809-2009. O evento, que tem como tema central, “O sistema braille, marco inicial da acessibilidade e inclusão”, reunirá, durante os dois dias, mais de trezentos participantes, entre autoridades ligadas ao braille em âmbito internacional e integrantes das diversas entidades nacionais filiadas à ONCB.
“Na ponta dos dedos, a construção de uma história
de independência e cidadania”. Este será o tema da Conferência Magna, que será proferida pelo Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Ministro Paulo Tarso Vannuchi, a partir das 10 hs do dia 24. Ao longo dos dois dias,pesquisadores, educadores, técnicos, estudantes e usuários do sistema braille debaterão sua importância nas diversas áreas da vida das pessoas cegas.O reconhecimento internacional do sistema braille, a formação acadêmica e o mundo do trabalho para o deficiente visual, a sociedade da informação e o fenômeno da desbraillização,recursos tecnológicos e o sistema braille, são alguns dos temas que marcarão a programação, através de mesas redondas, palestras e debates.

HOMENAGENS
O evento também prestará homenagens a personalidades brasileiras que se destacam ou se destacaram na difusão do sistema braille.Dentre os homenageados, destacam-se os nomes da Professora Dorina Gouveia de Nowil, presidente Emérita da Fundação Dorina Nowil para Cegos, e do professor Adilson Ventura, expresidente da União Latinoamericana de Cegos, ex presidente do Conselho Nacional de Defesa da Pessoa com Deficiência, Conade. In Memoriam, também serão homenageados o professor Hamilton Garai da Silva, o professor Edison Ribeiro Lemos e o Doutor Victor Siaulys.
O objetivo maior do evento, segundo seus organizadores, para além da homenagem que o Brasil presta ao genial inventor do sistema braille, centra-se na mobilização das instituições governamentais, das escolas, dos educadores e dos órgãos de fomento, por uma política de valorização e reconhecimento desse sistema em relevo, como meio natural e direto de leitura e escrita das pessoas cegas, conforme preconizam a Convenção da Onu, a União Mundial de Cegos e todos aqueles que lutaram e lutam pela ampla cidadania desses indivíduos em todo o mundo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Apresentação de aulas "inclusivas": curso da UNESP/FEG

O Primeiro Módulo para capacitar professores em Grafia Braille, Semeando Leitores e Escritores Competentes, desenvolvido nas dependências da UNESP/FEG - Guaratinguetá, em 2009, está chegando ao fim. Desde os embasamentos teóricos, envolvendo aspectos centrais e específicos da Leitura, Escrita e Transcrição Braille, passamos pela exposição de materiais, por aulas práticas, vivências, e uma das últimas propostas teve como objetivo "desafiar" os profissionais, ali presentes, a desenvolverem uma aula "inclusiva" e acessível, não só ao Cego, mas a todas as crianças. É muito importante perceber que, durante este momento de pesquisa e elaboração, esses professores conseguem fazer uma auto-avaliação: nas primeiras aulas, quase sempre marcadas pela ansiedade e insegurança, pelo desconhecimento ou inquietação diante do novo que se apresentara a partir dali. A dúvida, se seriam capazes de "compreender" aquele emaranhado de pontos", se saberiam identificar quais as melhores estratégias a desenvolver com esse aluno e, até mesmo, o "encantamento" ao descobrir as primeiras letras, ao formar as primeiras sílabas, palavras, sentenças... e às descobertas sucessivas de que ler utilizando um código tátil também é possível e divertido.
Em cada aula as propostas se diversificavam e, nem mesmo a complexidade do código trouxe grandes dificuldades. Os desafios eram superados e, cada etapa, compreendida dentro daquele contexto. Talvez, o grande segredo deste curso nem seja o relevo percebido visualmente por cada professor, compreendido como um símbolo do alfabeto, mas sim a mudança de "olhares" com relação ao aluno deficiente visual, um "olhar" sem rótulos, cujo foco esteja em suas habilidades e no que será capaz de produzir se incentivado a crescer e a participar das aulas com seus amigos de classe. O que valorizamos, a todo momento, é essa interação professor aluno, em que ambos serão responsáveis pela multiplicação do saber, desses conhecimentos relacionados ao "novo" que irá surgir e, no desejo de construir uma relação entre as "diferenças".
Para colocar em prática tudo o que foi possível experimentar durante esse curso, a proposta foi desenvolver, em grupo, uma aula "inclusiva", envolvendo a construção e adaptação de materiais, elaboração de um plano de aula e apresentação, simulando uma aula de verdade. Os temas foram escolhidos pelos grupos e a ordem de apresentação, definida por sorteio. Durante as apresentações, utilizamos vendas e os trabalhos foram distribuídos entre os demais cursistas que, no caso, seriam os alunos desta Classe inclusiva e realizariam as tarefas conforme orientações dos professores que comandavam a aula.
Tenho a acrescentar que foram momentos ricos de descobertas, em que os cursistas exploraram a criatividade e fizeram várias adaptações, todas envolvendo alunos com e sem deficiências. Essa preocupação esteve presente em todas as apresentações e as estratégias, mesmo variadas, contemplaram todos os envolvidos. Assim, Quero compartilhar com todos os leitores deste blog, alguns dos momentos destas apresentações, parabenizando todos os grupos pelo empenho, pela dedicação e, principalmente, por acreditarem que fazer a diferença é possível!

Temas:
Grupo 1: Textura na Arte.

Grupo 2: Lateralidade - uma aula de Espanhol.

Grupo 3: Alfabetização - Bingo de letras e formação de palavras.

Grupo 4: Formas Geométricas - relação com figuras em relevo; texturas; ficha de palavras.

Grupo 5: Sensibilização - Formas Geométricas e noção de medidas; órgãos dos sentidos (temperatura, textura, aroma e paladar); fichas de palavras em Braille.

Grupo 1: Textura na Arte








Objetivo:
Desenvolver e estimular a percepção tátil, antecipando a leitura Braille.

Atividades:
* Curiosidade: leitura do texto a Origem do Braille;
* Apresentação do texto Definição de Textura;
* Manuseio do tapete de texturas (alunos vendados observaram diferentes seqüências de texturas);
* Pontilhismo: manuseio em diferentes contornos em relevos de desenhos (contornados com bolinhas);
Jogo: Qual é o som? (com fichas de palavras);
* Jogo: memória.

Grupo 2: Lateralidade - uma Aula de Espanhol


Objetivo:
Desenvolver a lateralidade de crianças com deficiência visual, ensinando o espanhol, através de perguntas, o uso do tato e a escrita Braille.

Atividades:
* Ficha em Braille com desenhos de posições e escrita de perguntas e respostas em Espanhol;
* Identificação de posições (alunos vendados);
* Conversação: perguntas e respostas em Espanhol de acordo com a posição observada na ficha.

Grupo 3: Alfabetização - Bingo de letras e Formação de Palavras





Objetivo:
Identificar letras e formar palavras através de uma alfabetização lúdica e cooperativa.

Atividades:
* A importância do lúdico;
* Jogo: Bingo de letras (Alunos vendados);
* Jogo: montar palavras com alfabeto móvel em um tabuleiro, encaixando letras de acordo com o desenho (duplas: um colega vendado outro não).

Grupo 4: Formas Geométricas e Relações com Figuras








Objetivo:
Perceber semelhanças e diferenças entre objetos no espaço, identificando as formas geométricas em situações que envolvem descrições orais, construções e representações.

Atividades:
* Leitura oral de um texto: As Figuras Geométricas;
* Conversa sobre figuras geométricas e relação com as "coisas" e que podemos criar outras Formas geométricas utilizando apenas Triângulos, quadrados e círculos;
* Distribuição de Figuras geométricas de diferentes tamanhos e com texturas variadas para grupos (alunos vendados), pedindo para que separem de acordo com a forma e tamanho - círculo, quadrado e triângulo, pequeno, médio e grande;
* Distribuição de desenhos utilizando as Formas geométricas, construídos com diversas texturas e materiais variados: trem, foguete, navio, paisagem e palhaço;
* Distribuição de fichas de leitura contendo as palavras: foguete, trem, paisagem, navio e palhaço. As palavras estavam escritas com letras do alfabeto convencional, em relevo, e em Braille.
* Relacionar o desenho ao seu nome, fazendo a leitura da ficha apresentada.

Grupo 5: Sensibilização




Objetivo:
Explorar e identificar, através dos órgãos dos sentidos (tato, olfato, audição e paladar), características relacionadas a determinados objetos apresentados pelo professor e descrevê-los.

Atividades:
* Noções de medida (tamanho, peso, espessura e comprimento) através da análise de figuras geométricas apresentadas aos alunos (crianças vendadas);
* Vários elementos apresentados para serem analisados pelos órgãos dos sentidos (temperatura, textura, aroma e sabor);
* Distribuição de fichas de leitura em Braille para relacioná-las ao material apresentado e a sensação descrita pelos alunos ao entrarem em contato com esses materiais e sensações, por exemple: pequeno, grosso, café, frio, açúcar, limão, quadrado, azedo, liso, etc.
* Comparar os materiais apresentados, explorando os termos mais adequados para descrevê-los.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sexta Aula de Braille... Novos Desafios!

Nessa sexta aula de Braille o objetivo foi reforçar algumas técnicas de escrita, incluindo os elementos de reversibilidade; identificar se confunde letras opostas; se já consegue identificar novas letras, sinais e erros, e dar continuidade às técnicas de transcrição. Já no momento do registro , a utilização do reglete ocorreu de forma mais autônoma, em que cada aluna se mostrou a vontade ao manusear os instrumentos de escrita em relevo. Num primeiro momento, esclareci sobre quais seriam os "erros" mais comuns próprios da Escrita pontográfica (Ver Quinta Aula de Braille). Em seguida, apresentei os critérios que utilizo para a correção das atividades escritas. Nesta correção, os "erros" são sinalizados com marcações, sem especificá-lo. Caberá ao aluno identificar qual foi o "erro" cometido dentro do critério e do que foi sinalizado com cada marca.

CRITÉRIOS DE CORREÇÃO:
* um sinal de ? no início de uma linha ou palavra indica que a escrita está confusa e ilegível; dificuldade para interpretar aquele trecho; fora do contexto.
* Uma | indica ausência de alguma letra na palavra ou ausência de espaço entre palavras; falta algo.
* um X indica letras a mais na palavra ou espaços a mais, geralmente espaços no meio da palavra; sobra algo.
* Circular uma letra indica que existe algum erro, geralmente letras em espelho, com pontos a mais ou a menos.

Após estabelecidos os critérios de correção, as atividades, já corrigidas, foram distribuídas e cada "marcação" foi identificada pelas alunas que, conseguiram "visualizar" os "erros mais comuns". Posteriormente, fiz a leitura das palavras da atividade 8, mostrando que, a partir de agora, as linhas ficariam mais próximas, pois esta será a "configuração" real da escrita Braille, diferentemente das atividades anteriores que possuíam um espaçamento maior, a fim de promover uma maior familiaridade com o "visual" das letras. Nesta, e nas atividades seguintes, alguns "desafios" foram propostos, inclusive o aparecimento de uma letra nova, sinal de maiúsculo e palavras grafadas com erro ortográfico. Neste último, o "erro" intencional que apareceu na apostila serviu para avaliar o papel do "transcritor", como o profissional responsável pela transcrição das produções de "outros" e, portanto, tem a função de reproduzir fielmente essa escrita, sem corrigí-la. A correção foi solicitada apenas na hora da Escrita/cópia no reglete. Com uma atividade para reforçar o sinal indicativo de letra maiúscula, finalizamos a aula, ansiosos pelo próximo encontro.

Até lá!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Inclusão de Pessoas Cegas na Escola e no Mundo Digital: Projeto UNESP Guaratinguetá

O valor da educação é medido pela consciência e preparo do professor que tem, em suas mãos, o sábio dom de tecer vidas e a importância dessas ações e de cada ser na construção do mundo. Esse compartilhar de conhecimentos e de idéias, de aprender, de ensinar e de conviver em grupo está presente em um conceito bastante atual e desejado por milhares de pessoas: a inclusão escolar do deficiente visual. E, se ela é tão desejada assim, porque não podemos torná-la concreta e real?
Foi pensando na qualidade do ensino para pessoas cegas ou com baixa visão que o Projeto aprovado pela Prograd/Núcleo de Ensino, FEG/UNESP em Guaratinguetá passou a oferecer aos professores videntes, das redes municipal, estadual e particular, cursos referentes ao tema da deficiência visual, para que essa "inclusão" seja muito mais do que o acesso físico aos espaços escolares, mas, acima de tudo, uma oportunidade de crescimento a todos os envolvidos nesse processo.
O projeto "A Inclusão de Pessoas Cegas na Escola e no Mundo Digital" desenvolvido em 2008, contou com 2 módulos: grafia Braille (60 horas) e informática/Dosvox(60 horas. Cerca de 20 profissionais da rede regular tiveram a oportunidade de conhecer materiais adaptados para deficientes visuais, participar de dinâmica sobre como relacionar-se com deficientes visuais, orientação e mobilidade, escrita em Braille com equipamentos específicos, leitura e transcrição Braille, informações teóricas e apresentação de trabalho, cujo objetivo foi criar uma aula inclusiva. Já para as aulas de informática, realizadas em um laboratório, o objetivo foi colocar o professor em contato com o Sistema Dosvox, cujas informações gráficas são todas convertidas para o áudio. Com técnicas específicas, os professores puderam experimentar a sensação de utilizar um microcomputador apenas pelo som.
Este projeto teve continuidade e, atualmente em 2009 estamos capacitando mais profissionais que, através desta formação serão os multiplicadores dessas informações sobre deficiência visual, tendo a oportunidade de utilizar as técnicas, recursos e ferramentas para uma mobilização pela Inclusão do aluno com alguma dificuldade visual em classe regular.
Com o objetivo de divulgar este projeto, trago para conhecimento uma apresentação (Slide), mostrando os detalhes do que acontece nos cursos de capacitação. Este Slide foi apresentado pelos Bolsistas Fagner Bueno e Priscila Pereira na Semana de Ciência e Tecnologia da FEG/Guaratinguetá. Acessem e confiram:

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A APRESENTAÇÃO: Inclusão de Pessoas Cegas na Escola e no Mundo Digital
Núcleo de Ensino de Guaratinguetá
Coordenadora
Profª Drª Vera Lia Marcondes C. de Almeida
Bolsistas
Fagner Leandro Bueno
Priscila Pereira
Ministrante
Profª Luciane Maria Molina Barbosa

OBS: O Slide também está disponível na área de arquivos deste blog.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Estamos de Volta!!! Quinta aula em Lorena

Após o recesso e, em seguida com a paralisação resultante da gripe A (H1N1), que nos deixou quase dois meses ausentes do curso, estamos de Volta. É certo que essa ausência inesperada nos traz alguns prejuízos e atrasos, sobretudo em processos iniciais de aprendizado do Braille. Sabemos que nesta etapa faz-se necessário um contato mais freqüente com a escrita pontográfica, um treino mais preciso e intervalos menores entre as aulas. Essas lacunas serão preenchidas a partir de agora, momento em que o curso entra em sua fase mais dinâmica e totalmente prática.
Iniciei a aula fazendo uma breve revisão do que foi trabalhado até então (ver Quarta Aula de Braille), cujos conceitos de "cela" Braille, posição dos pontos, Primeira série de sinais, Segunda série de sinais e interpretação dos numerais foram relembrados. Como o foco da aula anterior estava direcionado a leitura/transcrição, agora saber manusear os instrumentos de escrita (reglete e punção) foi nossa prioridade. É importante salientar que, algumas técnicas são indispensáveis para o uso e aplicação corretos do código Braille em suas diversas modalidades, tais como criar uma imagem mental para cada letra, associando-as a algum signo relevante e ter como base as matrizes. Outra grande dica está na hora da inversão dos pontos para a escrita, que acontece da direita para a esquerda. Esse fato faz com que a configuração dos pontos mude de direção e não que as letras ganhem novas combinações. Por exemplo a letra "e” formada pelos pontos 1 (à esquerda) e 5 (à direita). Para a escrita ele continua tendo a mesma combinação de pontos 1 e 5, porém, o ponto 1 passa a se localizar no lado direito da "cela" e o ponto 5, à esquerda. Isso porque quando se escreve, iniciamos da direita para a esquerda e o relevo será formado na face oposta do papel e, somente ao retirarmos da prancheta que o prende e virarmos com a face para cima, a leitura será possível (Ver matéria sobre reglete e punção deste blog).
Na seqüência, após todos terem explorado os materiais, orientei sobre como colocar a folha no reglete, utilizar punção, apagar pontos a mais e utilizar as marcações na folha para retornar e avançar linhas. Pedi para que escrevessem as letras do alfabeto, em cada linha, pulando "celas". Esse exercício teve como objetivo verificar o grau de atenção e de como estão explorando o "restrito" espaço entre "celas" e linhas. Mostrei algumas dicas para evitar o cansaço dos punhos e das mãos, escrevendo, posteriormente, palavras. Fizemos algumas correções individuais. Recolhi o que produziram e deixei a proposta de uma atividade como tarefa para a próxima aula, observando como será o desempenho para a transcrição/leitura autônoma e individual.Abaixo algumas informações a respeito da "escrita Braille":

Como Facilitar a Escrita em Braille?
* Para os processos iniciais de alfabetização, recomenda-se "cobrir" algumas linhas da régua metálica do reglete, evitando confusões na troca de linhas e escrita seqüencial, já que o espaço é muito limitado e demora a ser percebido pelo tato e assimilado.
* Não é necessário empregar grande força para se obter o relevo. O que garante a qualidade na impressão das letras é o posicionamento correto do punção, de modo que esteja perpendicular ao papel.
* O punção não deve ser levantado, nem para a troca de janelas, nem para movimentos dentro de uma mesma "cela" Braille. O constante contato com o papel facilita a identificação de onde se encontra.
* Manter sempre a prancheta do reglete alinhada a carteira, pois sua inclinação pode resultar em dificuldades na localização das "celas" Braille.
* Não ter o hábito de executar ações repetitivas, como perfurar as mesmas letras ou seqüências continuamente. Recomenda-se, no máximo, uma linha de repetições, com intervalos.


Erros Mais Comuns em Textos Braille:
* Pontos a mais ou a menos em letras, o que não caracteriza erros ortográficos;
* Palavras juntas, sem intervalo de "celas" vazias;
* Palavras separadas por dois ou mais espaços;
* Espaços no meio de palavras, que ficam interrompidas;
* Troca de posição de letras na mesma palavra;
* Letras em espelho, ou seja, inversão dos pontos que compõe o símbolo;
* Repetição ou letras a mais em uma mesma palavra;
* Falta de letras em uma palavra;
* Existência de letras ou sinais estranhos em uma palavra;
* Empastelamento de linhas (quando se escreve uma linha por cima da outra);
* Pontos danificados ou rasgados devido a força empregada para marcá-los;
* Pontos mal apagados.

Parabéns às alunas que se empenharam e produziram uma escrita de qualidade. Muitos desses "erros comuns" foram superados logo no início e, daqui pra frente, o Braille surgirá como "Pontos" de conhecimento que, pelas mãos de cada uma de vocês, construirão uma nova história... o Braille é de todos nós!!

domingo, 9 de agosto de 2009

Braille X PC: Um casamento feliz ou uma relação atrapalhada?

Trago a vocês a Primeira parte de uma "conversa" sobre Braille e tecnologia, mediada por Miguel Fernandes e publicada em seu BLOG: Blog DV-Tec Brasil

(...) "Concebido ainda no século XIX por Louis Braille, o Alfabeto originou-se de uma escrita tátil desenvolvida pelo Capitão Charles Barbier de La Serre, com
o intuito de trabalhar suas instruções militares no fronte de guerra, onde, é claro, uma outra forma de comunicação poderia chamar a atenção do exército
inimigo.
Braille conseguiu desenvolver o método utilizado por La Serre ao ponto de eternizá-lo como o código que apresentou a cultura escrita àqueles que,literalmente,
até então não podiam tocá-la.
O tempo passou,outras alternativas surgiram e idéias como a que estigmatizavam o Braille como uma linguagem de cegos para cegos começava a tomar corpo
e se contrapor a contextos que colocavam instrumentos como a informática e a internet como promotores da tão sonhada acessibilidade universal, já que de
fato mecanismos como o computador poderia abranger áreas e pessoas que por vários motivos o Braille correria o risco de não alcançar." (...)

Clique Aqui para Acessar a Matéria Completa

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Transcrição


Como o Braille não se caracteriza como uma "linguagem" específica para deficientes visuais, o ato de interpretar este código pela escrita convencional, denomina-se transcrição e não tradução. Assim, o Braille pode ser acessível a todas as pessoas, seja através da "transcrição" seja a partir do domínio visual dos seus caracteres. Durante a alfabetização, entre os deficientes visuais, recomenda-se associar a "grafia" das letras a algum objeto, forma ou figura relevante, construindo a "imagem" mental de cada letra. Para quem enxerga a dica acima torna-se muito mais valiosa, já que as tentativas de comparar o código em relevo com o alfabeto convencional não apresenta nenhum resultado.É bastante comum observarmos as pessoas que enxergam fecharem os olhos para tatear o Braille, causando um total espanto pela complexidade tátil do sistema. Porém, Apenas com um pouco de treino "visual" o vidente pode atingir resultados satisfatórios de leitura. Seu papel torna-se indispensável para a "transcrição" de materiais que, a partir daí, são "legíveis" aos demais. Mas não são apenas os videntes que "transcrevem" o Braille com qualidade, Quem não enxerga, porém que já foi alfabetizado anteriormente a perda da visão, conseguem realizar esta tarefa, sem muitas dificuldades.
A "transcrição" deve ser feita na parte superior da palavra, não ocorrendo cortes. A escrita deve ser contínua, obedecendo os padrões gramaticais que forem apresentados na escrita Braille. Recomenda-se a utilização de letras cursiva, já que o Braille representa a escrita do deficiente visual. Deve-se respeitar a escrita, tal e qual foi concebida, seja com erros ou acertos, pois o papel do "transcritor" é interpretar o relevo para tinta, de forma que se torne legível. Este fato gera reações adversas com relação ao "conhecimento" gramatical e ortográfico dos "transcritores". Divulgar seu papel é a melhor maneira de quebrar o preconceito.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Braille: Você sabe Interpretar esses Pontos?



Para ilustrar nossos comentários a respeito da importância de se conseguir interpretar as informações, trago-lhes as imagens acima:

Tela 1: algumas palavras escritas em Braille, sem correspondência em alfabeto convencional; amor, vida, paz, escola, futuro, festa, dança, maravilhoso.

Tela 2: Mesmas palavras da tela anterior, escritas em Braille, porém, com transcrição para o alfabeto convencional.

Essas duas telas que, ilustram minhas palestras, também, me acompanham nas primeiras aulas sobre Grafia Braille. Senti a necessidade de compartilhar com vocês o "valor" das informações e como o ato de interpretá-las pode mudar nossos "olhares" com relação a um acontecimento, a um fato, uma situação.
De forma clara e objetiva, inicio dizendo que não basta estar diante de uma informação; por mais valiosa e necessária que ela seja em determinado momento, o importante é saber interpretá-la. É como em uma Crônica que li há uns 6 anos (não me recordo autor e fonte) e que transcrevo abaixo de forma resumida.

"Ao saber sobre um grave acidente ocorrido no local onde sua filha trabalhava, uma mãe segue, desesperada, em busca de informações. Chegando ao local do acidente, em meio ao corre- corre, não conseguia nenhuma pista sobre o paradeiro da filha. Até que descobre que as vítimas estavam sendo encaminhadas para um hospital e, que lá, haviam as listas com os nomes dessas pessoas. A mãe segue imediatamente para lá e se vê diante das duas listas, em uma parede no corredor deste hospital. Sem saber ler nem escrever, essa senhora apenas conseguia "decodificar" em imagens os nomes de suas filhas, de seu esposo e, o dela própria. Então, frente àquele emaranhado de linhas que, se entrelaçavam, conseguiu ver o nome da filha, escrito em uma das listas. Acontece que as listas estavam identificadas: Listas dos Vivos e Lista dos Mortos. E agora, como essa mãe poderia saber em que lista o nome da filha se encontrava?"

Essa história nos mostra bem a importância de se conseguir interpretar as informações, caso contrário nos tornamos "vítimas" dessa falta de acessibilidade. Felizmente a moça se encontrava entre os vivos e o desfecho dessa história real terminou bem. Porém, o fato vem se repetindo diariamente entre aqueles que, considerados "analfabetos", não conseguem estabelecer essa comunicação leitura X escrita.
Mas não são somente os "analfabetos" quem não conseguem "decodificar" os signos em letras. Diante da primeira tela, a pessoa que desconhece o código Braille também se encaixa nesse mesmo grupo; apesar de estar diante da informação, ela não consegue interpretá-la. No caso da segunda tela, essa leitura se dá, porque existe a "transcrição" das palavras, ou seja, o Braille foi "interpretado" pela grafia convencional. Quais as sensações experimentadas por você, quando se depara com a tela 1 sem o conhecimento prático destes signos?
Como vimos em outros textos já postados aqui neste blog, somente através do domínio tátil da linguagem escrita e lida, ou seja, somente por meio do código Braille, o deficiente visual entra em contato direto com as letras, palavras e sentenças. É o Braille que fornece informações sobre ortografia, disposição do texto no papel, enfim, aquilo que o áudio não consegue substituir. Neste caso, o "cego”, leitor de Braille, se vê também diante de tantas informações inacessíveis e, assim como a "mãe" da história acima, se sente "analfabeto" diante dessa inacessibilidade.
Posso citar vários exemplos que, se não tiverem disponíveis em alfabeto tátil, colocam o deficiente visual em desvantagem no acesso a informação: cardápios, livros para estudos, panfletos de propaganda, placas de sinalização, jornais, revistas, cédulas e moedas, placas de preço em supermercados, e tantos outros exemplos que eu poderia ficar horas enumerando.
Assim, o Sistema Braille, antes considerado um meio de comunicação (escrita e leitura) típico de um grupo de pessoas com deficiências, desconhecido da maioria da população, agora torna-se um instrumento social a ser conhecido e aprendido por todos, rompendo a barreira entre a informação e o seu receptor. É de extrema importância divulgar ações para ampliar o conhecimento do código Braille entre as pessoas, principalmente entre os profissionais da educação, garantindo assim, uma maior acessibilidade entre a comunicação escrita e lida entre os deficientes visuais.
Fica aqui uma reflexão: seria considerado "analfabeto" o deficiente visual que desconhece o código Braille? E no caso das pessoas que "enxergam", que posição ocupam nessa busca pela informação,já que o Braille passa a ser considerado um instrumento social de comunicação?